—
Meus parabéns, Ernesto. Você fez um excelente trabalho. Nem sei o que seria da
empresa sem a sua capacidade.
—
Obrigado, Chefe. Mas o mérito deve ser repartido com toda a equipe.
Outra feita, Ernesto ouviu os gritos da vizinha. E lá foi o paladino acudir
quem pedia socorro. Ao chegar ao apartamento, o porteiro e a síndica, atônitos,
não souberam o que fazer. Letícia estava em trabalho de parto.
—
Luís, chame o SAMU. Dona Marília, preciso de panos fervidos. Rápido!
Enquanto o porteiro acionava a emergência, a síndica foi esterilizar algumas
toalhas.
—
Estou com medo, Ernesto!
—
Calma, Letícia, tudo vai ficar bem.
—
E o meu bebê?
—
Ele está bem.
Menos de meia hora depois, era possível ouvir a sirene da ambulância a caminho.
No entanto, assim que a equipe médica entrou no apartamento, o pequeno Daniel
já chorava nos braços do parteiro de última hora.
—
Obrigada, Ernesto! Nem sei o que seria da gente se não fosse você.
—
Não há de quê, Letícia. Qualquer um faria o mesmo no meu lugar.
Ernesto ensinava matemática para um grupo de crianças carentes, lia contos, crônicas
e declamava poesias em um asilo de velhinhos, escutava com atenção as
desventuras amorosas até de desconhecidos e sempre dava generosas gorjetas aos
garçons. Como já dito, até os desafetos o tinham em alta conta. E foi justamente
um deles, o Marcolino, colega de trabalho, que fez questão de enaltecer as qualidades
incomuns do quase inimigo.
—
Ernesto, tu sabe que nunca fui com a tua cara, né?
—
Nunca desconfiei.
—
Pois é a mais pura verdade. Talvez seja implicância da minha parte. Mas hoje
quero lhe dizer que nunca vi um tipo mais altruísta que tu. E, acima de tudo,
humilde. Tu é a humildade em pessoa.
— Muito agradecido, Marcolino. E pode deixar, meu amigo, prometo jamais decepcioná-lo. Sei fingir humildade muito bem.
- Nota de esclarecimento: O conto "O ensaio das aparências" foi publicado no Notibras no dia 27/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/o-ensaio-das-aparencias/

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