Julião
tomou o calhamaço em suas mãos. Lígia observou o marido, a ansiedade por ouvir
o primeiro leitor antes de enviar o romance para o editor. Escritora de
sucesso, ainda guardava o pavor da rejeição.
— Era uma vez? É
isso mesmo, Lígia?
— Não entendi.
— Quem não
entendeu fui eu. Que coisa mais démodé.
— Démodé?
— Fora de moda,
ultrapassada.
— Eu não sou
burra, Julião. Eu sei o que é démodé.
— Bem, eu só
queria...
— Não quero mais,
Julião.
— Não quer mais o
quê?
— Seu palpite
infeliz.
— O quê?
— Noel Rosa, Julião. Noel Rosa.
- Nota de esclarecimento: O conto "Démodé" foi publicado no Notibras no dia 10/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/demode/

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