segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Démodé

    

    Julião tomou o calhamaço em suas mãos. Lígia observou o marido, a ansiedade por ouvir o primeiro leitor antes de enviar o romance para o editor. Escritora de sucesso, ainda guardava o pavor da rejeição.

    — Era uma vez? É isso mesmo, Lígia?

    — Não entendi.

    — Quem não entendeu fui eu. Que coisa mais démodé.

    — Démodé?

    — Fora de moda, ultrapassada.

    — Eu não sou burra, Julião. Eu sei o que é démodé.

    — Bem, eu só queria...

    — Não quero mais, Julião.

    — Não quer mais o quê?

    — Seu palpite infeliz.

    — O quê?

    — Noel Rosa, Julião. Noel Rosa.

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