terça-feira, 25 de agosto de 2026

Só se você puder


    Lauro acordou com o telefonema do patrão.

    — Não te acordei, né?

    Com a voz embargada de sono, Lauro disse que não.

    — Ah, que bom! Você sabe que não gosto de incomodar os meus funcionários no dia de folga, né?

    Sem ter para onde correr, Lauro concordou com o chefe.

    — Então, meu amigo, estou precisando de um favorzinho seu. Mas não tem pressa. Quer dizer, só um pouquinho. Mas não quero incomodar. Só se você puder mesmo. 

    Sem alternativa, Lauro fingiu sorriso do outro lado da linha. 

    — Lauro, meu querido, você poderia ir até a loja e pegar o presente que comprei pra minha esposa? É um embrulho com um lacinho vermelho. Está na primeira gaveta da minha mesa. Mas só se você puder mesmo, viu?

    Lauro, que morava do outro lado da cidade, na periferia, se levantou, pegou dois ônibus e foi até a loja. Depois caminhou pouco mais de quinhentos metros e deixou o presente da mulher do patrão na portaria do luxuoso condomínio.

    A caminho do lar, doce lar, Lauro se lembrou de que ainda não havia tomado café da manhã. Olhou o relógio. Quase hora do almoço.

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