— Não te acordei, né?
Com a voz embargada de sono, Lauro disse que não.
— Ah, que bom! Você sabe que não gosto de incomodar os meus funcionários
no dia de folga, né?
Sem ter para onde correr, Lauro concordou com o chefe.
— Então, meu amigo, estou precisando de um favorzinho seu. Mas não tem
pressa. Quer dizer, só um pouquinho. Mas não quero incomodar. Só se você puder
mesmo.
Sem alternativa, Lauro fingiu sorriso do outro lado da linha.
— Lauro, meu querido, você poderia ir até a loja e pegar o presente que
comprei pra minha esposa? É um embrulho com um lacinho vermelho. Está na
primeira gaveta da minha mesa. Mas só se você puder mesmo, viu?
Lauro, que morava do outro lado da cidade, na periferia, se levantou,
pegou dois ônibus e foi até a loja. Depois caminhou pouco mais de quinhentos
metros e deixou o presente da mulher do patrão na portaria do luxuoso
condomínio.
A caminho do lar, doce lar, Lauro se lembrou de que ainda não havia tomado café da manhã. Olhou o relógio. Quase hora do almoço.
- Nota de esclarecimento: O conto "Só se você puder" foi publicado no Notibras no dia 25/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/so-se-voce-puder/

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