terça-feira, 11 de agosto de 2026

O caso José Roberto

         

    Ninguém parecia esperar aquela fala. Não ali, naquele ambiente cheio de olhos. No entanto, ela foi cuspida pelos lábios de Eleonora. A mulher pareceu degustar cada palavra.

    — Vai, faz isso mesmo, José Roberto. Estou doida pra chamar a polícia.

    José Roberto, olhos arregalados, pareceu duvidar daquela ameaça. Tentou balbuciar algo, talvez um princípio de choro, mas foi logo interrompido.

    — E nem adianta fazer essa carinha de cachorro que caiu da carroceria de caminhão. Comigo não, violão!

    Ludmila e Márcia, que conheciam a mulher de outros carnavais, tentaram intervir. No entanto, a resposta veio pronta.

    — Não se metam, por favor! Por favor! Comigo o buraco é mais embaixo. E o José Roberto sabe muito bem como o pau canta lá em casa.

    — Mas, Eleonora, você não acha que está pegando pesado demais? 

    — Ah tá! Agora tu é defensora de bandido, Márcia? E tu tá me olhando com essa cara por quê, Ludmila? Tá com pena, é? Então, leva o José Roberto pra tua casa.

    — Ih, Eleonora, tô fora. Já tenho meus problemas pra me preocupar.

    Quando a situação parecia caminhar para uma calamidade, eis que, finalmente, um guarda se aproximou. A autoridade, voz postada, anunciou:

    — Senhoras, boa tarde. O parquinho já vai fechar.

    Márcia chamou a Fifi, que veio toda serelepe. Ludmila assoviou, o Totó obedeceu de pronto. Já Eleonora precisou pegar o José Roberto no colo. Eita, buldogue teimoso!

Nenhum comentário:

Postar um comentário