Já ouvi o J. Emiliano Cruz
(Jota) - autor do recente A Felicidade e os Risíveis Amores de Todos Nós - afirmar que seu principal fantasma é não ter a menor noção de qual será o seu
próximo conto. Cadê as ideias? Elas virão? De onde?
Ainda em relação ao
Jota, creio que foi ontem, mas pode ter sido anteontem ou na semana passada.
Conversando com o meu camarada, eu lhe disse que, muitas vezes, começo uma
história com uma ideia inicial, mas que se transforma em bolinha de gude
descendo uma escada íngreme e tortuosa. Sim, isso mesmo que você imaginou (ou
não). Não tenho a menor noção de como se dará o desfecho. "Edu, comigo
acontece a mesma coisa, que nem tampinha de refrigerante na carroceria de caminhão."
E a poetisa Hélida
Pivante, que não é bissexta por acaso: "Edu, quando sento para fazer
poesia, sempre aparece alguém e me diz: 'Ah, já que você não está fazendo nada,
bem que poderia me fazer um favorzinho.' Pois é, Edu, como se fazer poesia
não desse trabalho. Até parece que escritor não faz nada, que somos um bando de
desocupados."
Por falar em trabalho, o
Daniel Marchi, durante nossas conversas diárias, sempre me solta algo do tipo:
"Edu, adoro ser professor e advogado, mas encaro essas profissões como
trabalho. Literatura precisa me dar prazer e, por isso, deixo a mente livre. A
inspiração de vez em quando escapa, porém sempre volta recheada de
novidades." Que cara sortudo!
Ai de mim se eu fosse confiar apenas na inspiração para escrever. Se eu não fizer o tal conluio com café todos os dias, é provável que não saia nem mesmo uma mísera linha. Café, meu amigo. No meu caso, gourmet. Ah, e sem açúcar, pois de doce já basta a vida.
- Nota de esclarecimento: A crônica "Conluio com café" foi publicada no Notibras no dia 2/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/conluio-com-cafe/

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