quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O nó da questão

 

    Etiqueta, definitivamente, não era a praia do Juvêncio. Não que o sujeito fosse mal-educado, era questão de praticidade e conforto.

    — Meu amor, mas o que custa? É só hoje.

    — Não sei dar nem nó de gravata. Pra quê? Nunca gostei. Quero a minha regata.

    — Regata?

    — Não é um churrasco, Maria Rita?

    — Na casa do deputado, Juvêncio. Na casa do deputado!

    — E daí? É um churrasco. 

    — Mas você é mesmo cri-cri, hein?!

    — Eu?

    — E por acaso sou eu que tenho implicância com terno e gravata?

    — Não é implicância, Maria Rita.

    — E o que é, então, Juvêncio?

    — Incompatibilidade. Simples assim.

    — É, Juvêncio, você tem razão. Também estou sentindo.

    — O quê?

    — Certa incompatibilidade entre a gente.

    O homem, para manter a harmonia, tratou de entrar no terno, ajustou a gravata em volta do pescoço e calçou os sapatos impecavelmente engraxados.

    — Que tal, meu amor?

     — Apresentável, Juvêncio. Apresentável. Doeu?

    O casal estacionou em frente ao casarão do deputado Horácio. Um funcionário se postou ao lado do veículo e, gentilmente, abriu a porta para Maria Rita descer. Em seguida, acompanhou os convidados até o anfitrião. Assim que a autoridade avistou Maria Rita e Juvêncio, sorriu com todos os dentes. Com todos os dentes e de regata. Afinal, era churrasco.

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