— Meu amor, mas o que custa? É só
hoje.
— Não sei dar nem nó de gravata.
Pra quê? Nunca gostei. Quero a minha regata.
— Regata?
— Não é um churrasco, Maria Rita?
— Na casa do deputado, Juvêncio.
Na casa do deputado!
— E daí? É um churrasco.
— Mas você é mesmo cri-cri, hein?!
— Eu?
— E por acaso sou eu que tenho
implicância com terno e gravata?
— Não é implicância, Maria Rita.
— E o que é, então, Juvêncio?
— Incompatibilidade. Simples
assim.
— É, Juvêncio, você tem razão.
Também estou sentindo.
— O quê?
— Certa incompatibilidade entre a
gente.
O homem, para manter a harmonia,
tratou de entrar no terno, ajustou a gravata em volta do pescoço e calçou os
sapatos impecavelmente engraxados.
— Que tal, meu amor?
— Apresentável,
Juvêncio. Apresentável. Doeu?
O casal estacionou em frente ao
casarão do deputado Horácio. Um funcionário se postou ao lado do veículo e,
gentilmente, abriu a porta para Maria Rita descer. Em seguida, acompanhou os
convidados até o anfitrião. Assim que a autoridade avistou Maria Rita e Juvêncio, sorriu com todos os dentes. Com todos os dentes e de regata. Afinal, era
churrasco.
- Nota de esclarecimento: O conto "O nó da questão" foi publicado no Café Literário no dia 5/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/o-no-da-questao/

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