domingo, 23 de agosto de 2026

Entre fofocas e massinhas

     Lourdes, rodeada de adultos, fingia sorrisos e atenção. Não estava interessada nem mesmo nas fofocas que lhe chegavam com o frescor do ineditismo. Uma menina, três ou quatro anos, modelava massinhas no chão da sala.

    — Pois é, vocês acreditam que...

    Era como se providenciais chumaços de algodão tampassem as orelhas de Lourdes. Pensamentos, divagações, a mulher foi transportada aos seus sete, oito anos.

    — Lourdinha, olha o que o vovô trouxe pra garotinha mais linda do mundo.

    — Massinha!

    Não havia coisa que fazia a criança sorrir mais felicidade. Sorvete de morango, talvez. Lourdinha modelava sonhos lindos aos seus olhos infantis.

    — Vovô, olha o que eu fiz!

    — Que lindo cachorrinho!

    — É uma girafa, vovô.

    Quase em transe, Lourdes foi despertada por uma voz insistente:

    — Aceita mais café?

    — Ah, sim! Obrigada.

    Quando Lourdes levou a xícara aos lábios, a menina havia desaparecido. Somente algumas figuras espalhadas no piso. Talvez um cachorro ou, quem sabe, uma girafa.

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