Pois noite dessas
estava mesmo trocando ideias com o Dan, que passou por uma pequena intervenção
cirúrgica. Ele, quase grogue por conta ainda do efeito da anestesia, queria
saber como andavam as coisas com o Café Literário, do qual somos editores aqui no Notibras.
— Dan, esquece
isso. Está tudo sob controle. Cuide-se.
— Estou bem, Edu.
O Celsinho está aqui comigo.
— Que bom! E ele
levou chinelo dessa vez?
— Nem ele, nem
eu. Olvidamos ambos.
— Não acredito!
Como é que vocês esquecem algo fundamental?
Não sei se acontece com os outros escritores, mas comigo é exatamente assim: a minha criatividade e o meu conforto só ficam ativados quando estou com os meus surrados chinelos de dedo. Ah, detalhe: de meias.
— Edu, eu ainda tinha pensado em comprar um chinelo só pra vir pro hospital. É que o meu mais novo arrebentou.
— E o outro par?
— Ih, Edu, o outro está muito gasto.
— E depois o doido sou eu, né? Coitado do Celsinho.
— Ele está bem.
— Bem mesmo?
— Mais ou menos. Ele também está reclamando da falta do chinelo.
— Também né? Mande um beijo pra ele.
— Mando sim.
— Até amanhã.
— Até, Edu.
Quando eu já ia desligar, eis que o Dan me aparece com uma filosofia de botequim:
— Ah, Edu, e não se esqueça.
— Do quê?
— Onde não puderes ir de chinelo, não te demores.
- Nota de esclarecimento: A crônica "Filosofia pós-anestesia" foi publicada no Notibras no dia 24/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/filosofia-pos-anestesia/

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