sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O preço da previsibilidade

     

    Duas amigas. Alice e Mariana. Amigas desde os primeiros anos escolares. As duas conversavam sobre os caminhos que a vida lhes apresentou. 

        Café. Alice e Mariana, sentadas em um café, sorviam lembranças e falavam do futuro. Um gole, mordiscadas nas torradas, sorrisos. 

        Direito. Alice, advogada, conquistara uma concorrida vaga em um afamado escritório da cidade. O sucesso à sua frente. Tão ao seu alcance. Palpável. Previsível. Ela questionou a bióloga:

            — São Gabriel do quê?

            — Da Cachoeira.

            — No mato?

            — Também.

            — Não é longe demais, Mariana?

            — É.

            — Então?

            — Alice, a vida é mesmo assim. De repente, acontece.

            — Tem certeza?

            — Nenhuma.

            — Então, Mariana, por que ir pra tão longe? Aqui você tem tudo.

            — Preciso.

            — E se lá não for o seu lugar?

            — Provável que não seja. O mundo é tão grande.

            — Então, Mariana? Não é melhor ficar aqui?

            — Sei que aqui não é o meu lugar. Acontece. Talvez seja o seu, mas o meu está em outro lugar.

            Alice, inconformada com a decisão da amiga, passou anos lamentando a própria falta de coragem.

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