Café. Alice e Mariana, sentadas em um café, sorviam
lembranças e falavam do futuro. Um gole, mordiscadas nas torradas,
sorrisos.
Direito. Alice, advogada, conquistara uma concorrida
vaga em um afamado escritório da cidade. O sucesso à sua frente. Tão ao seu
alcance. Palpável. Previsível. Ela questionou a bióloga:
— São Gabriel do quê?
— Da Cachoeira.
— No mato?
— Também.
— Não é longe demais, Mariana?
— É.
— Então?
— Alice, a vida é mesmo assim. De
repente, acontece.
— Tem certeza?
— Nenhuma.
— Então, Mariana, por que ir pra tão
longe? Aqui você tem tudo.
— Preciso.
— E se lá não for o seu lugar?
— Provável que não seja. O mundo é tão
grande.
— Então, Mariana? Não é melhor ficar
aqui?
— Sei que aqui não é o meu lugar.
Acontece. Talvez seja o seu, mas o meu está em outro lugar.
Alice, inconformada com a decisão da amiga, passou anos lamentando a própria falta de coragem.
- Nota de esclarecimento: O conto "O preço da previsibilidade" foi publicado no Notibras no dia 14/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/o-preco-da-previsibilidade/

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