segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A vitrola de domingo


    Esparramado no tapete da sala, o casal, despido de ilusões, observava o domingo se esvair.

    — Cansei de rock and roll. Não que me arrependa, apenas não estou mais a fim. Coloque Gil, Milton e Cauby. Coloque Magal.

    — Magal?

    — Sim, isso mesmo, minha Sandra Rosa Madalena. Que tal?

    — Ué, não sabia que você fumava.

    — Nem eu.

    — Então?

    — Então, o quê, minha flor?

    — Cachimbo?

    — É.

    — Ganhou?

    — Sim.

    — De quem?

    — Acho que foi impulso. Que tal Martinho? Tu gosta?

    — Demais.

    — Quer?

    — Tenho medo de entortar a boca.

    — Bobagem.

    — Deve ser. Nunca fumei.

    — Tudo bem, nem eu.

    — Me dá aqui. Como faz?

    — É só puxar.

    Tragou uma, duas, oito vezes.

    — Tem Zé Geraldo?

    — Meiga senhorita?

    — Senhorita.

    — Não é meiga?

    — Senhorita, mas é meiga também.

    Trocaram carícias breves, a segunda-feira já beirava seus calcanhares.

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