segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A culpa é de quem quiser

    Elvira era do tipo que sabia camuflar a culpa como poucas. Falava o necessário, quase tudo verdade. Evitava repetir, que a culpa ficasse com os outros.

    — Elvira, amiga, como você conseguiu suportar toda essa pressão?

    — É... Você pode me passar a manteiga?

    Quando se atrasava, não fazia alarde.

    — Meia hora, Elvira. Da próxima vez, vou ter que descontar do seu salário.

    — Bom dia, Osvaldo!

    — Ah, desculpe! Bom dia, Elvira. Tu vai ao churrasco?

    — Se me convidarem...

    — E não foi?

    — Acho que vai chover hoje. 

    Joaquim, o namorado, quis dar um perdido. No domingo. Acredita?

    — Cinema? Não vai dar, meu amor. Tenho que preparar uma reunião pra amanhã. O chefe pediu. Você sabe como é, né?

    — Ah, que bom, Joaquim.

    — Bom? Como assim?

    — É que finalmente poderei aceitar o convite do Leandro. Você acredita que ele adora cinema? E eu também. Você sabe, né?

    — Leandro? Que Leandro?

    — Ah, um amigo. Mas pode ficar tranquilo. Acho que ele é gay. Acho...

    Reunião adiada. Coisas mais urgentes em pauta. O filme foi bom; a pipoca, uma delícia, apesar do preço. Salgado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário