— Tu viu o
Erasmo?
— Um gato.
— Tem gosto pra
tudo.
— Tá interessada?
— Ih! Deus me
livre! E tu?
— Eu?
— Não, Joana, a
minha avó.
— Ela tem bom
gosto.
— Tá ou não
tá, Joana?
— Essa geleia
está deliciosa. Prove.
— Hum... É mesmo.
Comprou onde?
— É da Amanda.
— A mulher do
Erasmo?
— É.
Lúcia encarou a
amiga por um breve instante.
— Pagou quanto?
— Nada.
— Nada?
— Nada.
— Ela te deu?
— Nem falo com
ela.
Lúcia arregalou
os olhos. Incrédula, quis saber como a Joana havia conseguido aquele pote.
— Ah, ganhei.
— De quem?
— É uma delícia
mesmo, né?
— De quem, Joana?
Joana passou uma
generosa camada da geleia sobre uma torrada e, languidamente, levou a guloseima
à boca. Deu uma mordiscada, passou a língua nos lábios e sorriu.
— Hum... Que
delícia! Isso é uma perdição, amiga. Vou precisar malhar muito pra não engordar.
— Joana!
— O que foi?
— Foi o Erasmo?
— Que delícia!
— O Erasmo?
— A geleia. Se
quiser, consigo um pote pra você. Quer?
— Hum!
— De graça. Quer?
— Quero.
As mulheres se
entreolharam.
— Tu não presta,
Joana.
— É verdade.
As duas gargalharam.
- Nota de esclarecimento: O conto "O pote da discórdia" foi publicado no Notibras no dia 29/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/o-pote-da-discordia/







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