terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Milton com os seus botões

              A ilusão, não raro, é mais urgente do que o amor improvável. E era baseado nesse pensamento que Milton buscava redenção da dor que sentia por ter sido abandonado por Denise, cuja liberdade não parecia compatível com os princípios morais do sujeito. E foi com aquele sentimento de perda que o homem preferiu seguir seu caminho a ter seu retrato estampado nas páginas policiais. 

        Enjeitado, Milton foi chorar as mágoas na cama. E como chorou! Foram tantas lágrimas, que o coração ficou seco. E foi nesse instante em que percebeu que talvez a solução seria engatar um novo romance. Mas logo desistiu, pois sabia que a paixão por Denise ainda lhe fazia perder o sono e o resquício de juízo que supunha ainda guardar em algum canto. 

          Agitado por causa do abandono, finalmente criou coragem e foi ter uma conversa séria de homem para homem com o sujeito ao fundo do espelho do banheiro. A princípio, olhos baixos, de quem tentava escapulir daquela situação constrangedora. No entanto, não se sabe de onde, surgiu uma concha de coragem e, do nada, ligou a matraca.

            — Sabe, meu amigo... Posso te chamar assim, né?!

            — ...

            — Obrigado. E você pode me chamar de Milton. Bem, é como me chamo, mas pode me chamar do que quiser também. Ultimamente ninguém parece se importar. E quem é que liga se a gente se chama Milton, José, Alfredo, Pedro... 

            — ...

          — Você gosta de Milton? Então, meu amigo, fica sendo Milton mesmo. Na verdade, fica até mais fácil, pois é como estou acostumado a ser chamado. Minha mãe não queria, mas parece que foi coisa predestinada.

            — ...

            — Sim, isso mesmo! Predestinada. Acredita?

            — ...

            — É uma longa história, mas se você estiver com tempo...

            — ...

            — Ah, tá! Eu entendo. Tempos corridos, né, meu amigo?! Então, vou ser breve. É que um tio morreu antes de eu nascer. Você sabe, né? Aquela comoção na família. 

            — ...

        — Ah, era irmão do meu pai. E se chamava tio Milton. Quer dizer, não tinha tio no nome, mas é como os meus pais se referem a ele até hoje. 

            — ...

            — Ah, se dependesse de mamãe, meu nome seria Alexandre. 

            — ...

            — É verdade. Você tem razão, meu amigo. Já existem muitos Alexandres no mundo. Mas você acha que se eu me chamasse Alexandre teria alguma chance com a Denise?

            — ...

            — É meu amigo, também acho que esse lance de nomes não tem nada a ver. 

            — ...

            — Não! Que isso? Não fiquei chateado. Melhor ouvir a verdade na lata a um monte de mentiras à prestação. 

            — ...

            — Você tem razão, meu amigo. Vida que segue. E que a Denise seja feliz. 

            — ...

            — Obrigado por me escutar, meu amigo. O sono bateu firme. Agora vou dormir. Boa noite.

  • Nota de esclarecimento: O conto "Milton com os seus botões" foi publicado no Notibras no dia 17/2/2026.
  • https://www.notibras.com/site/milton-com-os-seus-botoes/

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Concentra Mas Não Sai

    

Gilberto era um chatonildo agudo nas palavras da esposa, Lúcia. É que o sujeito era do tipo que fazia questão de ser pontual até mesmo para churrasco na casa dos amigos. Se o evento começava às 13h, lá estava o homem plantado em frente ao portão da casa exatamente nesse horário.

            — Mas, Gilberto, se a gente chegar cedo, ninguém vai estar lá.

            — Lúcia, se não quisessem que chegássemos às 13h, que marcassem para as 14 ou 15h. 

            Até o anfitrião estranhava a pontualidade do Gilberto. Entretanto, para não causar imbróglio desnecessário, oferecia-lhe um café enquanto a cerveja era colocada para gelar. Aproveitando o ensejo, Lúcia ia para o canto conversar com a dona da casa.

            — Ah, desculpe, Jordana, mas é que o Gilberto não perde a mania de abrir a igreja para o padre entrar.

            Acordava às 6h, fazia o dejejum às 6h30. Almoço era ao meio-dia, pois depois disso já ganhava outro nome: refeição dos irresponsáveis, lanche antecipado ou, dependendo do horário, entrada para o jantar. E haja paciência para suportar a falta de molejo do gajo. Até mesmo a Lúcia, que certamente possuía um lugar privilegiado reservado no Céu, já queria entregar os pontos. 

            Longe de possuir o carnaval de Recife, Salvador e Rio de Janeiro, Brasília possui lá seus blocos de rua, que fazem os bambas não perderem o compasso. E entre os mais animados está o Concentra Mas Não Sai, na Asa Norte.

            — Ah, amor, vamos!

            — Lúcia, eu não gosto de bagunça.

            — Mas é carnaval, meu bem. E eu prometi às minhas colegas que ia.

             — Hum!

            — Olha aqui, Gilberto, se você não for, vou eu sozinha!

            Sem como negociar perante a determinação da esposa, lá foi o homem acompanhá-la. Ela, de odalisca; ele, de marido contrariado. 

            Assim que chegaram, o samba comia solto. Marli, Carla e Neide, embaladas pelo ambiente, sambavam o bom samba.

            — Mulher, achamos que você não vinha mais.

            — E eu sou de perder o Concentra, Neide?

            E samba daqui, bebe dali, sua por todos os poros, a tarde avançou ao som das marchinhas para a noite na capital. E haja disposição! E de tão envolvente que estava toda aquela situação, até o aborrecido Gilberto se deixou levar pelo embalo. Para falar a verdade, dizem que perdeu a linha e precisou ser carregado pela esposa e as amigas para o lar, doce lar.

              No dia seguinte, despertou quando o ponteiro do relógio caminhava sem qualquer cerimônia para as 16h. Ao lado, Lúcia, com aquele sorriso vitorioso nos lábios.

            — Ah, Gilberto, carnaval é bom demais porque bagunça toda a rotina.

  • Nota de esclarecimento: O conto "Concentra Mas Não Sai" foi publicado no Notibras no dia 16/2/2026.
  • https://www.notibras.com/site/concentra-mas-nao-sai/

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Sob a ótica de Gregor Samsa

    — Ernesto, você é um poço de adversidades.

     — Eu?

     — E por acaso tem outro Ernesto aqui?

    Pois foi esse o início da conversa que tive com Janete. Confesso que olhei para os lados para ver se havia alguém na varanda. Até desejei, por uma fração de segundos, que o pardal pousado na grama pudesse ser meu xará. Sem chance! A coisa era comigo mesmo. 

     — Ernesto, vai ficar aí me ignorando?

     — Tô refletindo sobre o que você me disse.

     — Olha, desculpe se te ofendi. Não foi minha intenção. Eu até gosto de você, da sua companhia, mas não dá mais.

     — Por quê?

     — Por quê? Ernesto, você parece ter nascido com azar crônico. Nunca vi alguém tão azarado assim.

     — Nem sempre.

     — Você deve estar de brincadeira, né?

     — Ter te conhecido foi azar?

     — Bem, nesse caso, o azar foi meu.

    Depois dessa, tratei de recolher o resquício de orgulho que ainda me restava, beijei a face do meu então amor para toda a eternidade e, sem maiores dramas, fui embora. Já na calçada, esperei que Janete me chamasse de volta, pulasse no meu pescoço e me desse um daqueles beijos ardentes, cena de filme. Infelizmente, nada mais do que o silêncio ensurdecedor me acompanhou até o meu apartamento, onde passei o resto do dia com a sensação de que ela estava coberta de razão. Pois é, o azar foi dela de me conhecer. 

   Não sei se isso acontece com todo mundo... Todo mundo é gente demais, não deve ser assim. Exageros à parte, creio que sou um tipo que enxerga a vida com certo pessimismo, provavelmente seja algo genético ou, então, culpa de "A metamorfose", de Franz Kafka. Quem, afinal, se envolve com esse tipo de literatura aos doze anos? Antes tivesse me entretido com Marcos Rey nessa fase da vida. 

     — Ernesto, você é vítima das circunstâncias. 

   — Obrigado, doutora. Estava precisando disso. A Janete me diz que sou o culpado por ter a companhia constante do azar.

      — Errada, ela não está.

      — Como assim, doutora? Você acabou de falar que sou vítima das circunstâncias.

      — E é! 

      — Então?

      — Você é vítima das circunstâncias, Ernesto. Mas vítima das circunstâncias criadas por você. 

   Mais um choque de realidade, agora exposto por minha terapeuta Marina. Só porque enxergo o mundo como um lugar hostil? E como viver tranquilamente quando você pode ser atacado por tigres à espreita.

     — Ernesto, tigres vivem na Ásia.

     — Que seja, mamãe! Leões, então!

     — Onças.

     — Tá, mamãe! Mas isso é uma metáfora!

     — Metaforicamente falando, você parece que se vê como uma barata, meu filho.

     — Gregor Samsa, mamãe.

     — Sei...

     — Sabia que faço aniversário no mesmo dia do Kafka?

     — Não.

     — Sou exatamente cem anos mais novo que ele.

    — Pois faço aniversário no mesmo dia da Alcione, mas não arrisco um dó ou um fá fora do banheiro. 

    Tanta praticidade. Essa é a minha mãe, dona Margarete. E não pense você que puxei ao meu pai, cujo humor me perturba. Parece que ele enxerga felicidade até nas maiores tragédias. 

     — Poderia ser muito pior, Ernesto.

     — Mas, pai...

     Se a Janete não me ligar até amanhã, vou mandar uma mensagem. Quem sabe ela não comece a me enxergar por um outro ângulo? Será que existe algum que me favoreça?   

  • Nota de esclarecimento: O conto "Sob a ótica de Gregor Samsa" foi publicado no dia 15/2/2026.
  • https://www.notibras.com/site/sob-a-otica-de-gregor-samsa/

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Fortunato, mas nem tanto

               

           Degustou os restos mortais da ceia do Ano Novo. Parece algo macabro ou, no mínimo, triste, ainda mais por se tratar de Adilson Fortunato, cuja fortuna era tanta, que poderia entrar facilmente como um dos homens mais abastados do seu tempo nas cercanias da então pouco habitada capital do país nos idos de 1961. Verdadeiro nababo rodeado de miseráveis. 

               Mastigou duas ou três vezes o naco daquela coxa e, carrancudo, o cuspiu.

               — Que porcaria! Quem temperou esse peru parece que desconhece a existência de sal. Maria! Maria!!!

               Não tardou, lá estava a pobre mulher, uma das tantas empregadas do casarão, praticamente aos pés do patrão.

               — Pois não, senhor Fortunato.

               — Você sabe o que é sal?

               — Sal?

               — É! Sal! Não sabe o que é sal?

               — Sei sim, senhor.

               — Então, da próxima vez, vê se usa sal no peru!

               — Eu quis colocar mais sal, patrão, mas a dona Laura disse que não faz bem pro senhor.

               — Arre! Pois deixe estar! Deixe estar, que me entendo com a minha mulher. Agora vá, vá, que não estou com tempo pra perder com bagatelas. 

              Mal a funcionária deu as costas, Fortunato pegou um charuto dentro da caixa na estante, retirou o isqueiro do bolso. Acendeu, tragou, a fumaça tomou conta do ambiente. 

              — Já começou, Adilson?

              — Estou ansioso, Laura.

              — E eu preciso morrer sufocada por causa da sua ansiedade?

              — Vou pedir pra abrirem as janelas.

              — Hum! E eu sou aleijada por acaso, Adilson?

              Dona Laura escancarou cortinas e janelas, pegou seu leque e tentou agilizar a troca da fumaça por ar respirável. Fortunato, que não era capaz contra a esposa, foi fumar no alpendre. Olhou ao redor e ralhou com o jardineiro. Pronto! Masculinidade recuperada, ao menos por enquanto, sentou-se na cadeira de balanço e produziu a fumaça que desejou até ele próprio não suportar o sabor da liberdade longe da companheira de quase três décadas. 

              Encontrou a mulher na cozinha, onde ela dava orientações sobre o almoço. Fortunato a observou por um momento. Pouca coisa mais baixa do que ele, cinco anos mais moça, cintura de quem já havia parido algumas vezes, o que lhe conferia certa altivez. Os cabelos grisalhos por opção eram sinal de gente confiante, como se não necessitasse de aprovação. Era justamente esse destemor que atraiu o então jovem Adilson, que buscava algo do qual era desprovido. 

              — Pode deixar, patroa, que o almoço vai sair ao seu gosto.

              — Obrigada, Maria.

              Laura percebeu o marido na recostado na porta da cozinha.

              — Adilson, você deu pra me espionar agora?

              — Não. É que...

              — Vá lá pra sala antes que eu te ponha pra descascar algumas cebolas.

              O esposo da dona da casa nem titubeou. Virou-se e foi se sentar na poltrona. Pegou o jornal e fingiu folheá-lo com interesse. Nem as fotografias apeteciam seus olhos cansados de tantas inverdades bem escritas. 

              O telefone tocou. Geralda, que espanava a poeira dos móveis, atendeu. Era Luísa, a caçula do velho casal.

              — Oi, filha! Quando você vem nos visitar? Sua mãe não fala de outra coisa.

              — Ah, pai, estou toda enrolada com as provas na faculdade. 

               — Tá bem, filha. Vou passar para a sua mãe, que está aqui ao lado.

              — Oi, Luísa! Como vai a vida aí nesse Rio de Janeiro?

               — Tá tudo bem, mãe. Mas preciso saber se a senhora fala com o pai uma coisa.

               — Hum! Já sei. Mas pode ficar tranquila, que hoje à tarde ele vai ao banco. 

               — Ah, mamãezinha de Deus, muito obrigada!

               O almoço foi servido exatamente ao meio-dia, mas poderia ter sido mais tarde. Não estavam com fome, comeram por hábito. E assim levavam a vida. Mudanças assustam. 

  • Nota de esclarecimento: O conto "Fortunato, mas nem tanto" foi publicado no Notibras no dia 14/2/2025.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Flávio e a querela com o vinho

          Abriu os olhos, tentou se acostumar com a claridade que entrava pela fresta da cortina entreaberta. O gosto acre na língua o fez ter ânsia, mas conseguiu devolver para o estômago o que já subia pelo esôfago. Vinho. Nunca se deu bem com vinhos. Por que, então, foi beber? 

               Cássia, sua colega de trabalho. Sim, havia sido ela a razão. E como recusar uma taça das mãos da mulher mais atraente do Réveillon na casa do dono da empresa? Daí em diante, foi como se só existissem pedaços de memória. 

            Flávio se lembrava de estarem os dois juntos, mãos dados, sorrisos desinibidos por conta da bebida. Levou a mãos aos lábios, buscou algum vestígio, breve sabor de perfume, o cheio suave daqueles dedos de pianista. Sim, eram longos, delgados. De repente, sentiu algo estranho, como se aquela não fosse sua cama. E não era nem mesmo uma cama.

            O que estava fazendo no sofá da sala do Álvaro? Ele se lembrou de que havia se despedido do seu chefe, apesar de não se recordar de ter chegado ao seu apartamento. Forçou a mente, mas só vislumbrou forte enxaqueca. Maldito vinho! 

            Ouviu vozes. Não as conhecia. Pelo menos nenhuma era do anfitrião. Buscou os sapatos, que estavam virados no tapete. Mau sinal, pensou. Sua mãe sempre dizia que não se brinca com o azar deixando calçados de virados. Tratou de calçá-los e sair o mais rápido possível do local antes que fosse descoberto.

             Levantou-se, caminhou até a porta e, ao abri-la, a claridade o cegou por alguns segundos. Caminhou a passos largos em direção ao portão quando, de repente, sentiu que estava sendo observado. Olhou ao redor e, então, avistou um enorme cachorro vindo em sua direção. Desesperado, teve certeza de que o portão estava tão distante, que seria logo alcançado pela fera. Sem muitas alternativas, imaginou que a piscina era sua salvação e tchibum. 

             O cão rodeou a piscina por duas ou três vezes, até que parou na beira e encarou aquele provável invasor. Começou a latir insistentemente, até que surgiu um dos empregados da mansão.

             — Flavius, quieto! 

             Flavius? Aquele cachorro tinha uma versão italiana do nome do sujeito? Ele imaginou as manchetes dos jornais no dia seguinte: 'Flavius não perdoa e ataca Flávio', 'Quem diria que o pobre Flávio terminou seus dias na bocarra do Flavius', 'Flavius devora Flávio' e, certamente, a pior seria 'Flávio vira café da manhã do Flavius'.

             — Pode sair agora, senhor.

             — Muito obrigado! Nem sei o que o meu xará faria comigo.

             — Flavius.

             — Sim, o Flavius. E eu sou o Flávio.

             O rosto do funcionário se manteve inalterado, como se aquela coincidência não fosse do seu interesse. Flávio, apesar de enxarcado, estava são e salvo. Despediu-se do seu herói e entrou no seu carro, que estava estacionado na esquina. A chave do veículo não havia se danificado.

             Assim que entrou no seu apartamento, notou o aparelho celular sobre a mesa da sala. Como não gostava de levá-lo quando saía para se divertir, ele não havia se molhado e, consequentemente, se danificado. Tomou-o em suas mãos e notou várias ligações e mensagens de Cássia. Telefonou para a colega.

              — Até que enfim, Flávio! O que deu em você ontem?

             — Como assim? 

             — Você está bem?

             — Por quê?

             — Não vai me dizer que não se lembra de nada?

             — Quase nada. A gente se beijou?

             — O quê?

             — Desculpe. É que pensei...

             — Você se esqueceu mesmo?

             — Do quê?

             — Você me pediu em casamento.

             — O quê?

             — Não se lembra nem disso?

             — Não.

             — E que você apagou de tão bêbado?

             — Que eu apaguei, sei que apaguei, pois acordei no sofá do Álvaro.

             — Ele, o José e o Armando que te colocaram lá. Você apagou no jardim.

             — Eita! Que vergonha!

             — Ah, esquece! Todo mundo estava bêbado. O Álvaro mesmo ficou bem pior do que você. Até vomitou. 

             — Sério?

             — Sério.

             — E você?

             — Eu não vomitei, se é isso que quer saber. 

             — Não.

             — E o que é?

             — Você aceitou?

             — Aceitei o quê?

             — O meu pedido de casamento.

             — Ah, claro que não! Desde quando acredito em conversa de bêbado, Álvaro?

             — Hum...

             — Só queria saber como você está. Vê se você se cuida. Até amanhã.

             — Até amanhã.

            Assim que desligou, Flávio foi até o banheiro, lavou o rosto. Estava péssimo. Ainda tinha o resto do domingo para arranjar coragem para encarar todos no trabalho no dia seguinte. Quanto ao vinho, nunca mais.

  • Nota de esclarecimento: O conto "Flávio e a querela com o vinho" foi publicado no Notibras no dia 13/2/2026.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Dóra, a amiga de mamãe

    

    Todo ser humano tem o direito de mudar. Foi isso que ouvi certa vez de uma amiga mineira de mamãe, cujo nome não me recordo. Talvez estivesse tão entretita com a sua voz deliciosamente rouca, como se fosse pastel de fubá da sua charmosa cidade, Machado.

    Já que o nome da simpática figura não me vem à mente, sinto-me no direito de recorrer à licença poética e chamá-la de Dóra. Sim, Dóra com acento agudo, pois me soa mais mineiro do que Dôra. E faço questão dessa distinção para que você que está me lendo não tenha dúvida quanto à pronúncia correta. 

    Devia ter eu não mais do que seis ou sete anos quando a Dóra costuvama chegar à nossa casa com aquele sorriso de quem carrega tanta felicidade, que se sente na obrigação de distribuí-la com as outras pessoas. E parece que funcionava com mamãe, que levava uma vida conflituosa  com o meu pai. E como fui complacente com papai por anos, até que não teve mais jeito quando a consciência chegou com a maturidade. 

    Meu velho era mesmo um chauvinista dos mais arraigados ao patriarcado. Do tipo controlador, que se sentia humilhado porque mamãe, vez ou outra, faturava mais do que ele por conta dos belos vestidos que costurava para as clientes mais abastadas de Brasília, para onde havíamos mudado no final de 1972. Se mamãe teve vontade de se separar? Não duvido, mas ela jamais contou lamúrias para os filhos, como se aquele fardo só lhe pertencesse.

        Enquanto meus irmãos e eu fazíamos o dever de casa na sala, mamãe e Dóra trocavam confidências na cozinha. Nessas ocasiões, mamãe fazia bolinhos de chuva para acompanhar o café que só ela sabia preparar. 

        — Não adianta, Dóra, o Osvaldo não muda.

        — Todo o ser humano tem o direito de mudar, Joana.

     — Hum! Com o Osvaldo, só se ele resolver se mudar pra bem longe, mas vai continuar o mesmo.

    — Minha amiga, muitas vezes as pessoas mudam, mas não sabem como demonstrar. Talvez seja o caso do Osvaldo.

         — Hum!

            Não sei se esse era o caso do meu pai naquele tempo. No entanto, quando estava beirando os 80 anos, ele reuniu os filhos e netos e, sentado ao lado da nossa mãe, se desculpou por ter sido tão duro e controlador com a esposa. Mamãe pareceu incrédula com aquelas palavras. 

            Depois de todos falarem algo a respeito, mamãe pegou o celular e foi para a cozinha, talvez desejando um pouco de privacidade. Tive um pressentimento e, discretamente, fui atrás dela. Esgueirei-me ao lado da porta da cozinha, enquanto ouvi a voz da minha mãe:

            — Dóra, você estava certa. Aconteceu. O Osvaldo mudou.

  • Nota de esclarecimento: O conto "Dóra, a amiga de mamãe" foi publicado no Notibras no dia 12/2/2026.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Cleiton e o imbróglio com o Papai Noel

    

      Cleiton, ao contrário dos colegas de banco, não tinha lembranças da época de infância, ainda mais quando o assunto era o Natal. Também, não era para menos, pois o sujeito passou a infância se culpando por nunca ter recebido nem mesmo uma mísero carrinho de plástico do Papai Noel. E olha que ele mandava a sua carta com antecipação para que o Bom Velhinho tivesse tempo de fabricar o presente.

    — Mamãe, eu sou um menino mau?

    — Mau? Por quê, Cleiton?

    — Nunca ganhei nenhum presente do Papai Noel.

    Sem coragem para expor a flagrante miséria para o menino, a mulher preferiu se embrenhar por outro caminho.

     — Também, meu filho, com esses garranchos, quem é que entende? Você precisa melhorar a sua letra.

     A artimanha funcionou até que Cleiton, já mais grandinho, descobriu que Papai Noel não existe. Pelo menos, o rapaz ficou com a letra mais bonita da turma, o que lhe rendia elogios de todos os professores. E esse parece ter sido o incentivo que o fez não desistir de estudar, tanto é que foi um dos raros alunos daquela escola que conseguiu melhorar de vida.

        Banco do Brasil. Pois é, aos 25 anos, saiu de vendedor de cachorro-quente para funcionário do Banco do Brasil. Não ficou rico, obviamente, mas passou a ganhar o suficiente para comprar ao menos um presente de Natal para si, mas não para a mãe, que falecera prematuramente de câncer de mama pouco depois de ver o filho tomar posse no novo emprego. 

        O homem recebeu apoio dos poucos parentes e raros amigos. Vida que segue. E foi assim que seguiu a vida do Cleiton. Mas Natal era data de se fechar que nem ostra. E não havia santo que fizesse o gajo entrar no amigo-oculto do trabalho no final de ano.

         Mas por quê, Cleiton? Todo mundo vai participar?

        — Não gosto, Sandoval. 

        — Não gosta? Mas é Natal! 

        —  Por isso mesmo.

        — Não gosta de Natal?

        — Não. 

        — Ah, tá! Então, desculpe. 

        — Tudo bem. 

         Quando Cleiton já estava saindo, eis que o Sandoval, curioso que era, quis saber o motivo.

        — É por causa da religião? Você é da Umbanda ou do Candomblé?

        — Não. Tenho a letra mais linda do mundo. 

  • Nota de esclarecimento: O conto "Cleiton e o imbróglio com o Papai Noel" foi publicado no Notibras no dia 11/2/2026.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Um general em apuros

     

        Félix, freguês dos mais antigos da banca do Guima, em Sobradinho, no Distrito Federal, é, segundo consta nos anais da fofoca, general da reserva. É verdade que os maldosos, provavelmente por inveja, costumam dizer que o velhote não passa de tenente. Bem, não importa o posto, mesmo porque o sujeito anda meio cabreiro com algumas coisas. Quem me contou? Isso é segredo que pretendo levar para o túmulo, mas é algo que pode ser negociado dependendo da paga. 

      Pois lá estava o ex-combatende de nada na banca do Guima. Foi acompanhado da digníssima companheira de praticamente toda vida. Nisso, o Guima se aproximou do casal para cumprimentá-los.

        Bom dia, general! Bom dia, dona Luzia!

        A mulher devolveu o cumprimento com um sorriso nos lábios, o que não aconteceu com o esposo.

        Bom dia pra quem, Guima?

         Aconteceu alguma coisa, general?

         Nada neste país está bem. 

         Hum...

         Tudo uma bagunça só.

         É verdade, general. 

         Entra governo, sai governo, nada presta.

         É verdade, general. O senhor tem razão.

        Em determinado momento, a senhora, afeita a novidades, entrou na banca e começou a olhar as revistas. O general, aproveitando que a esposa havia se afastado, baixou o tom da voz e disse:

           Guima, na verdade, na verdade, o país está até bem. O meu problema é a minha esposa que fica o dia todinho me dando tarefas em casa. Eu já não aguento ser subalterno dela. Logo eu, um general! Pode uma coisa dessas?

           É verdade. Se bem que marechal é patente mais graduada que general.

  • Nota de esclarecimento: O conto "Um general em apuros" foi publicado no Notibras no dia 10/2/2026.
  • https://www.notibras.com/site/um-general-em-apuros/

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Uma história de família

   

    Tia Nice era, nas palavras de mamãe, uma mulher arretada. E, por esse motivo, sempre quis ser igual a ela, ainda mais porque imaginava que arretada era algo do tipo linda. E isso titia era. 

    Quando estava com meus 12, 13 anos, meu pai me perguntou o que eu queria ser quando crescesse.

     Júlia, você quer ser médica, engenheira ou advogada?

     Quero ser que nem a tia Nice.

    Minha mãe, que estava ao lado, ficou exasperada:

     Deixe de bobagem, menina! Pois tu quer ser quenga?

    Quenga. O que era quenga? Pelo tom da voz de mamãe, devia ser algo do tipo ladrona. Ou seria feia? Não! Feia não era. Chata? Talvez minha mãe tivesse birra da irmã. Eu também tinha do Osvaldo, meu irmão caçula. O moleque era dois anos mais novo e queria mandar em mim. Vê se pode uma coisa dessas? Logo eu, que já tinha sido visitada pelas regras, e ele ainda mijava na cama. 

     Outro que parecia ter rixa com tia Nice era vovô, que vivia dizendo que a filha não saíra aos seus. Não saíra aos seus? O que isso significava exatamente. Na dúvida, perguntei para o Salomão, meu irmão mais velho.

         Tem certeza?

        — Sim. Foi o que o vovô falou.

      Bem, isso é simples. O que ele quis dizer é que... Hum... Sabe, Júlia, eu sei, mas não tô alembrando. 

     Pensei em recorrer ao Osvaldo, mas desisti. E desde quando aquele mijão iria saber. O jeito foi perguntar para minha mãe.

         Quenga! Já falei que tua tia é quenga! E não me perturbe mais com essas perguntas, que tenho mais o que fazer. 

     Quenga, então, era a mesma coisa que não saíra aos seus. E isso acabou me causando um certo transtorno na escola, quando a professora de português mandou toda a turma escrever algumas palavras sobre alguém da família. O Vicente perguntou se podia falar do cachorro. 

             Não, Vicente. Fale da sua mãe ou do seu pai. 

            Foi aí que aconteceu aquele silêncio na sala. É que o pai do Vicente estava preso porque tinha matado a mulher. Então, o Vicente nem tinha mais mãe. Quer dizer, minha mãe disse que ainta tinha, só que lá no Céu. 

             Lá junto com as nuvens, mamãe?

             Com Deus, Júlia.

            Bem, então, a mãe da Júlia está com Deus. 

            A professora parou diante do Vicente, que ficou com os olhos de cachoeira. 

             Tá bom, Vicente! Escreva sobre o seu cachorro.

             O cachorro não é meu, professora. 

            — Não? E de quem é?

             Da Júlia.

            Aí, a professora me perguntou se o Vicente poderia escrever uma história sobre o meu cachorro. Fiquei com pena do meu vizinho de rua e deixei. 

            Depois de todos terminarem, a professora passou na carteira pegando folha a folha. Toda orgulhasa, estiquei a mão e entreguei as minhas palavras, certa de que a professora iria adorar e me dar um dez. Todavia, parece que ela não gostou, pois aqui estou na direção da escola, enquanto meus pais estão conversando com diretora. O motivo? Hum, na verdade, até este momento não sei, mas desconfio que foi por causa das palavras que escrevi sobre tia Nice:

            Quando crescer, quero ser que nem a minha tia Nice porque ela é quenga, que é a mesma coisa que não saíra aos seus.

  • Nota de esclarecimento: O conto "Uma história de família" foi publicado no Notibras no dia 9/2/2026.
  • https://www.notibras.com/site/uma-historia-de-familia/

domingo, 8 de fevereiro de 2026

As noites solitárias do João

     

      Acordou quando a tarde avançava de modo confiante para a noite, que prometia nada além do que o mesmo de sempre. Pensou por alguns instantes diante das opções e, com a face carregada de tédio, decidiu por pedir uma pizza tamanho família, ainda mais porque receber outro não de Laura estava fora de cogitação. João não suportaria ser rejeitado mais uma vez. Estaria a ex-namorada se vingando de anos de descaso?

       Lavou o rosto e encarou o reflexo, que se mostrava cada dia mais intransigente com os rumos que o homem tomara. O que João queria provar? E para quem? Se ele soubesse que Laura tolerara a falta de atenção por tanto tempo não por amor, mas pena, era possível que subisse no parapeito da janeta e saltasse para a morte, mesmo que morasse no térreo. Que ao menos os arranhões o fizessem despertar para a realidade, já que a falta de bom-senso parecia perene. 

        Bastor pegar o celular para que a dúvida pairasse novamente sobre o sujeito. Teria a mulher se arrendido de ter se negado a passar a noite com ele. Sim, certamente estaria aguardando que ele ligasse novamente. Talvez se fizesse de difícil por uma ou duas frases, mas não resistiria quando ele dissesse: "Laura, meu amor, estou com saudade!"

        — Ah, João, vá te catar! E não me ligue mais, pois o Carlos não gosta.

       E Laura desligou sem nem mesmo se despedir. Nem um "Tchau!" ou "Até nunca mais!". Mas quem era Carlos? Ele conhecia ao menos dois, mas um era um primo distante que morava em Portugal há mais de duas décadas, e nunca tivera em Brasília. Já o segundo, era um antigo colega de faculdade, mas que também não chegou a ter contato com Laura. Ou teve e ele não sabia? Não, não e não! Mesmo assim, resolveu tirar a prova dos nove

         João? Há quanto tempo!

         Sim.

         E o que manda?

         Você tem visto a Laura?

         Laura? Que Laura?

         Aquela garota que eu saía.

         Cara, não sei quem é essa. 

          Ah, tá! Pensei que soubesse.

         Não.

         Beleza, Carlos. Pensei que conhecesse. Então, tá! Depois vamos marcar um chope.

         Beleza. É só marcar.

         Valeu.

         Valeu.

        Convencido de que o tal Carlos da Laura não era o seu colega, muito menos o primo que residia na Europa, João sentiu certo alívio. No entanto, antes que pudesse relaxar, eis que a angústia se instalou de vez. Como seria esse Carlos? Essa dúvida o encheu de inseguranças. A incógnita da aparência do rival o fez voltar ao espelho e se indagar. Seria mais alto? Seria mais bonito? Era inteligente? Trabalhava com o quê? Seria bom de cama? Carlos! Carlos! Carlos! Maldito Carlos!

        Pensou em ligar novamente para Laura. Precisava dirimir qualquer dúvida. Que ela o xingasse, João não mais se importava. Que o mandasse para o inferno, ele até iria, mas precisava saber, era questão de honra. E honra de homem ninguém resvala. 

            João pegou o telefone celular e ligou. Ocupado. Ligou novamente. E, mais uma vez, deu ocupado. Cheio de brio, o sujeito seguiu em frente e fez nova ligação. Ah, agora estava chamando. Pois Laura iria ouvir umas poucas e boas. Ah, se ia. Atendeu.

                 Uma pizza de calabreza tamanho família, por favor.

  • Nota de esclarecimento: O conto "As noites solitárias do João" foi publicado no Notibras no dia 8/2/2026.
  • https://www.notibras.com/site/as-noites-solitarias-do-joao/

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Leopoldo e o mendigo

    Leopoldo era do tipo que não levava desaforo para casa, mesmo que aquilo lhe custasse rusgas permanentes com, por exemplo, um vizinho de porta. Que fosse daquele jeito, o sujeito não parecia se importar, apesar das aflições cada vez mais perenes, que chegavam sem qualquer cerimônia e se instalavam no coração.

        O sujeito sabia que aquela situação não era amiga da saúde e, por isso, buscou algumas alternativas para evitar descontroles por bobagens. Que guardasse energia para quando fosse realmente necessário como, por exemplo, salvar o planeta de um improvável ataque alienígena ou, então, enfrentar o ex-boxeador Popó, desde que fosse recompensado com alguns milhões para valer a pena a surra que iria levar. 

        Não podemos dizer que Leopoldo não tenha tentado, até porque Gabriela, namorada com longo histórico de paciência, testemunhou alguns fatos que, outrora, seriam estopins para crises histéricas do amado. Mas o fato que mudou definitivamente o jeito do rapaz de levar a vida aconteceu por acaso e, talvez pelo inusitado, vale aqui mencioná-lo.

            Estava o casal passando pelo Setor Comercial Sul, em Brasília, quando um mendigo, sentado na calçada, esticou a mão e pediu ajuda. Leopoldo, que não era de questionar necessidades alheias, abriu a carteira, mas não encontrou trocado.

            Meu amigo, vou ficar te devendo. Só tenho uma nota de cem.

       O pedinte sorriu e, percebendo que daquele mato não saía cachorro, aguardou o próximo transeunte. Nisso, Leopoldo, assim que deu as costas para seguir seu caminho de mãos dadas com a namorada, arregalou os olhos e exclamou:

                 Não pode ser!

                 O que foi, meu amor?

                 Eu conheço aquele cara!

                Leopoldo retornou e, diante do necessitado, perguntou:

                 Camilo, é você?

                Pego de surpresa, o homem levou alguns segundos encarando Leopoldo.

                 Leolpoldo! Não é possível! É você mesmo?

          Sim, Camilo! Sou eu! Mas o que você está fazendo aqui? Olha, se você estiver mesmo precisando, tá aqui os cem reais.

                 Que nada! Pode ficar com o seu dinheiro. 

                Camilo se levantou e abraçou o amigo.

                 Leopoldo, e quem é a gatinha?

                 Ah, Camilo! Essa é a Gabriela, minha namorada.

                Apresentações feitas, Camilo disse que estava fazendo laboratório para viver um mendigo em um curta que seria filmado no mês seguinte. 

                 Que loucura!

                 Um pouco, Leopoldo. Mas vida de ator é assim mesmo. Aliás, vocês já almoçaram? 

                 Ainda não, mas...

                 Então, estão convidados para almoçarem comigo. Já ensaiei muito por hoje. 

                E lá foram os três para um restaurante ali perto. E o engraçado mesmo foi na hora de pagar a conta. O Camilo nem deixou o colega tirar a carteira do bolso.

                Nananinanão, Leopoldo! Vocês são meus convidados. Além do mais, faturei bem hoje. Estou até pensando em largar a vida de ator pra virar mendigo profissional. 

             Por sorte ou destino, Camilo não trocou de profissão. O curta foi um sucesso, ele foi requisitado para viver o protagonista de um longa, pois um famoso diretor de cinema ficou impressionado com a sua atuação carregada de emoção e veracidade ao dizer o derradeiro texto antes dos letreiros começarem a subir:

            Sei que muitos de nós gostaríamos de enaltecer uma das qualidades mais nobres que uma pessoa pode possuir: o humor. Nunca perca seu humor, pois, apesar das perturbações que a vida nos oferece, com humor encontraremos mais soluções e menos problemas. O mundo é muito rude e, para vencê-lo, devemos mudar a estratégia.

  • Nota de esclarecimento: O conto "Leopoldo e o mendigo" foi publicado no Notibras no dia 7/2/2026.
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