Aos doze, foi
convidado para uma gincana de matemática. Titubeou, mas foi convencido por sua
professora.
— Vamos, Rubens!
Vai ser bom pra você e pra escola.
O jovem conseguiu camuflar a falta de carisma com respostas certeiras. Além de abocanhar o prêmio individual do torneio, levou a sua equipe ao ponto mais alto do pódio.
Rubens ganhou fama local, chegou a ser recebido como herói. E esse foi o primeiro passo para a transmutação de acanhado para popular. Todos queriam se tornar próximos da quase celebridade da escola.
Logo após vencer
a terceira gincana consecutiva, Rubens, agora com quinze anos, conheceu a
melhor aluna de Língua Portuguesa e Literatura do colégio. Gláucia. Pois esse
era o nome da moça que, ainda por cima, era engajada com pautas progressistas.
Foi amor à primeira vista.
O casal, para
alguns improvável, viveu o apogeu durante um, dois, seis meses. Tudo parecia
perfeito até que o Rubens pisou na bola. Sucumbiu aos encantos da Márcia, bela
aluna da sala ao lado.
Os encontros
furtivos acabaram sendo descobertos por alguém. A fofoca correu o pátio da
escola com a velocidade da luz e acabou caindo nos ouvidos da Gláucia. Rubens,
ao perceber a mancada, ainda tentou se desculpar.
— Foi mal, minha
flor.
— Mal?
— Você me perdoa?
— O quê?
— Você sabe como
é, né?
Gláucia, que de
otária nada tinha, deu as costas para o aprendiz de Don Juan. Não teve
conversa, Rubens ficou mal. Mal de verdade. E todos lhe deram as costas,
inclusive a provocante Márcia.
Sem ter mais a
quem pedir socorro, o rapazola foi chorar as mágoas no ombro da sua derradeira
esperança: sua mãe. Ela, a despeito das probabilidades, ficou do lado da
Gláucia.
— Que vacilão
você é, hein, Rubens?
Rubens, desolado
que estava, só queria colo. Entretanto, a mulher se fez de inquisidora.
— Por que você
foi fazer isso com a Gláucia? Homens... Estava se achando, é? Homens... E logo
com a Gláucia, uma menina tão legal. Homens... Por quê? Vamos, Rubens, me
responda! Por quê?
— Por favor,
mamãe, não me pergunte nada. Só fica comigo e me abraça.
Como um bebê chorão, chorou os bofes. Homens...
- Nota de esclarecimento: O conto "A álgebra do vacilo" foi publicado no Notibras no dia 30/8/2026.
- https://www.notibras.com/site/a-algebra-do-vacilo/








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