segunda-feira, 29 de junho de 2026

Realidade refletida

    

    Larissa, vaidosa até a ponta da unha do mindinho, possuía uma autoestima para lá da realidade. Não que a mulher fosse feia, era bonita acima da média, o que a tornava alvo de inveja alheia. E não pense você que isso a deixava chateada.

        — Que culpa tenho eu, amiga, se todos os homens me querem? Não tem o Carlos?

        — O Carlos da Rosana?

        — O próprio. Tu acredita que ele me chamou pra sair?

        — Sério? E a Rosana tá sabendo?

        — Hum! Isso não é problema meu. Ela que aprenda a tomar conta do que é dela. E não serei eu que irei ensiná-la.

        — Não acredito que tu aceitou.

        — Amanda, fala sério! Só se eu estivesse matando cachorro a grito.  

        — Tu acha ele feio?

        — Hum! 

      Tamanha altivez, que havia iniciado bem antes de Larissa entrar na faculdade, prosseguiu até meados do curso de Biologia, quando já se imaginava influenciadora da vida selvagem. Larissa, a gata, em mais um dia no Cerrado ou, então, A pantera Larissa no meio das onças do Pantanal. Ih, logo seria destaque no National Geographic.

        — Larissa, tu vai à festa na casa do Cláudio?

        — Não tô sabendo.

        — Ih, vai todo mundo.

        — Se vai todo mundo, então eu vou, Júlia. Quando vai ser?

        — Sexta à noite.

        — O meu irmão vai ficar com o carro. Você me dá carona?

        — Sem problema. 

        Sexta-feira, lá foi a Júlia até a casa da amiga. 

        — Já?

        — Cheguei cedo, né?!

        — Nem me arrumei ainda. Entra aí.

        As duas mulheres foram até o quarto. Júlia se sentou na cama enquanto Larissa retocava a maquiagem.

        — Ué, Larissa, tu não usa espelho pra se maquiar?

        — Tenho horror!

        — Por quê?

        — Ah, amiga, espelhos são honestos demais!

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