Seu Hilário, como o próprio nome aponta,
é extremamente divertido. No entanto, não pense você que seja por opção, mas
pela completa falta de noção que costuma se materializar diante dos absurdos
ditos. E ai daquele que se atreva a contestar o coroa, é lapada certeira nos
cornos.
Dia desses, aqui perto de casa, enquanto
eu dividia uma cerveja com o Salomão e o Chico no Bar do Bosco, eis que o seu
Hilário surgiu. Não que isso tenha caráter de novidade, pois ele é bom de copo,
mas não costuma perder a linha. O máximo que acontece é mostrar as qualidades
de passista de escola de samba, que, na verdade, não possui nem sequer cacoete.
— Calixto, tu não sai dessa bodega. Olha
que vou passar a sua capivara pra dona Clementina.
Você deve ter percebido que o seu Hilário
se dirigiu à minha pessoa. Ele parece gostar de mim e, não duvido, ainda mais
da minha mãe. Chego a desconfiar que o velho já é meu padrasto, mas não tenho
coragem de investigar. Vá que eu descubra da pior forma. Será? Prefiro
acreditar na discrição da dona Clementina.
— Sabe, Calixto, cerveja é uma droga! É
como se o cara não tivesse coragem pra encarar a vida.
— Como é que é?
— Isso! Homem de verdade vai direto ao
ponto. Por isso que prefiro uma branquinha.
— Seu Hilário, mas tem gente que não vai concordar.
— E daí?
— Ué, as pessoas têm opiniões
diferentes. Ou o senhor vai querer proibir isso?
— Olha aqui, meu filho, não proíbo nada,
mas que estão todos errados, ah, isso estão.
Não sei se eu ria ou se ficava preocupado. Como é que é? Meu filho? Será?
- Nota de esclarecimento: O conto "Hilário e a minha capivara" foi publicado no Notibras no dia 3/6/2026.
- https://www.notibras.com/site/hilario-e-a-minha-capivara/

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