terça-feira, 30 de junho de 2026

O imbróglio da meioca

   

    A mãe tentava dissuadir a criança, que se mostrava irredutível.

    — Meia.

    — Meioca!

    — Malu, é meia.

    — Meioca!

    A avó, sentada no sofá, observava aquele embate com certa curiosidade. 

    — Deixa a menina, Rose, isso é coisa da idade.

    — Dona Lúcia, isso é coisa do filho da senhora, só pode ser. Eu tentando ensinar as palavras certas pra nossa filha, e vem o Gustavo e fica inventando essas coisas. 

    A senhora, para evitar imbróglios desnecessários com a nora, preferiu o caminho da paz.

    — Coisas de homens, Rose, coisas de homens. Não tem por que se irritar, eles possuem lá alguma serventia. 

    As duas mulheres se entreolharam e, por um instante, pareceram concordar em algo. Em seguida, Rose se voltou para a filha.

    — Vamos, Malu, que mamãe já está atrasada. Vamos colocar a meia?

    — Meioca!

    — Hum! Tá bom, Malu. Meioca. Mas me dá o pé aqui.

    — Chulé!

    Rose voltou o rosto para a sogra, respirou fundo e, buscando o resquício de paciência debaixo do tapete, calçou a meioca no chulé da Malu.  

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