— Meia.
— Meioca!
— Malu, é meia.
— Meioca!
A avó, sentada no
sofá, observava aquele embate com certa curiosidade.
— Deixa a menina,
Rose, isso é coisa da idade.
— Dona Lúcia,
isso é coisa do filho da senhora, só pode ser. Eu tentando ensinar as palavras
certas pra nossa filha, e vem o Gustavo e fica inventando essas coisas.
A senhora, para
evitar imbróglios desnecessários com a nora, preferiu o caminho da paz.
— Coisas de
homens, Rose, coisas de homens. Não tem por que se irritar, eles possuem lá
alguma serventia.
As duas mulheres
se entreolharam e, por um instante, pareceram concordar em algo. Em seguida,
Rose se voltou para a filha.
— Vamos, Malu,
que mamãe já está atrasada. Vamos colocar a meia?
— Meioca!
— Hum! Tá bom,
Malu. Meioca. Mas me dá o pé aqui.
— Chulé!
Rose voltou o rosto para a sogra, respirou fundo e, buscando o resquício de paciência debaixo do tapete, calçou a meioca no chulé da Malu.
- Nota de esclarecimento: A crônica "O imbróglio da meioca" foi publicada no Notibras no dia 30/6/2026,
- https://www.notibras.com/site/o-imbroglio-da-meioca/

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