Os tiras acertaram
que cada um ficaria acordado durante um período, enquanto os demais repousariam
que nem a Bela Adormecida. Mas nada de beijo de príncipe encantado para
despertá-los, pois todos colocaram alarme nos respectivos aparelhos celulares.
E lá foram os homens da lei tirarem uma pestana despidos de arrependimentos.
O Santana, que havia sido
o primeiro a ficar acordado, aproveitou que ninguém estava por perto, não resistiu
e acabou se entregando a Morfeu. As pálpebras pesaram e o ronco ecoou pela
delegacia. Mas antes que alguém pudesse acordar com aquele barulho, eis que o
Santana pulou da cadeira por conta de um tiroteio, que parecia ter vindo bem de
perto.
Desesperado, o Santana
apertou o botão do alarme na parede ao lado. Aquele som estridente fez com que
todos os outros policiais corressem para a frente da delegacia.
— Tiroteio! Tiroteio!
— Onde, Santana?
— Parece que veio dali.
O delegado Wanderley
mandou os quatro agentes irem para o suposto local do tiroteio, enquanto ele e
o escrivão Bernardino ficariam tomando conta da delegacia. E lá foram o
Santana, o Ricky Ricardo, o Allan Belos Cabelos e Alberto Roberto lutarem
contra o crime. Enquanto isso, o escrivão reclamava do azar.
— Caramba, doutor, que droga!
— Isso é a polícia,
Bernardino. Temos que estar preparados para o pior.
Mas antes que a
conversava tivesse chance de progredir, eis que uma viatura da polícia militar
estacionou bem em frente. Wanderley e Bernardino estão certos de que prenderam
o autor dos tiros ouvidos pelo Santana. Que nada! Trata-se de embriaguez ao
volante, como constataram assim que os policiais militares pisaram na delegacia
conduzindo um homem totalmente bêbado, que mal se aguentava de pé.
Não
demorou, o flagrante já estava todo feito. Wanderley, então, se lembrou do
tiroteio e comentou com os policiais militares que a cidade andava muito
violenta.
—
Doutor, estranho, pois estamos fazendo ronda há quase três por aqui e não
escutamos nenhum tiro.
O
delegado coçou a cabeça, olhou para Bernardino, que pareceu ter entendido.
Wanderley liberou os policiais militares e, então, pediu para o escrivão
ajudá-lo a colocar o preso na cela. E lá foram os dois levar o detento.
Wanderley, sempre no comando, informou para o homem quais eram os
procedimentos. Ele mandou que o preso tirasse toda a roupa antes de colocá-lo
na cela. O sujeito obedeceu, ficando apenas de cueca.
—
Agora preciso que o senhor abaixe a cueca e me mostre o fundo.
Eis
que o homem, totalmente embriagado, abaixou a cueca até os calcanhares.
Todavia, invés de mostrar os fundos da cueca, ele se virou e abriu o bumbum na
direção do delegado.
— Não,
senhor! É o fundo da cueca!
Wanderley e Bernardino, tentando segurar o riso, trataram logo de colocar o
preso na cela. Mas, assim que passaram a chave no portão, duas sonoras
gargalhadas ecoaram pelos corredores da delegacia. Nisso, eis que os quatro
agentes retornam para a delegacia. Ricky Ricardo, o mais experiente da trupe,
chamou o delegado num canto.
—
Doutor, rodamos toda a área, abordamos algumas pessoas. Ninguém ouviu nenhum
tiro.
— Já
derrubei essa situação, Ricky.
— Não
me diga que aconteceu de novo.
— Sim,
aconteceu. O Santana teve mais um daqueles pesadelos.
- Nota de esclarecimento: O conto "Santana, o tiroteiro e o bêbado" foi publicado por Notibras no dia 27/4/2024.
- https://www.notibras.com/site/pesadelo-vira-tiroteio-e-preso-vai-pra-cela-sem-cueca/
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