quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Primo legítimo do Garrincha

 

         

          Queria ser jogador de futebol. Melhor, o desejo ia muito além. Atacante! E, segundo boatos na família, Armando tinha motivos de sobra para atingir tal objetivo. E não era pouca coisa mesmo.

          Provável primo legítimo de ninguém menos do que o maior driblador que o planeta Terra já viu. Sim, o próprio! Garrincha. Desse modo, o jovem já se via desconcertando os adversários, como se incapazes de detê-lo mesmo a pontapés.

 Afinal, como parar o imarcável? Bola nos pés, parado diante do beque, gingava de um lado para o outro, o que deixava o marcador paralisado. Do nada, dava um peteleco na bola, que passava rente ao corpo imóvel e, sem um pingo de modéstia, já em frente ao goleiro, passava-lhe a bola por debaixo das pernas. Gol! Gol!! Golaço!!!

Fez o teste no Botafogo. Passou com certa facilidade na peneira. Aprovado. Aprovadíssimo!

— Zagueiro.

— Zagueiro?

— É.

— Mas não sou zagueiro.

— Pois é o que vai ser.

— Não posso, treinador.

— Por quê?

— Minha mãe me quer engenheiro.

Agradeceu a oportunidade e nunca mais voltou a pensar em ser jogador. Dizem que é porque não queira ser apenas mais um João.

  • Nota de esclarecimento: O conto "Primo legítimo do Garrincha" foi publicado no Notibras no dia 22/1/2026.
  • https://www.notibras.com/site/primo-legitimo-do-garrincha/

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