Barriga pontuda era certeza de
que se tratava de menino. Francisca sabia pelo brilho no olhar do marido que
ele estava orgulhoso. Coisas de homem, que faz questão de manter o sobrenome da
família. Como se o Oliveira do sujeito fosse distinguir o moleque de tantos
outros.
Francisca, assim que sentiu que o momento
havia chegado, mandou o marido ir buscar dona Lia, a parteira da localidade,
cujas mãos experientes haviam trazido ao mundo inúmeras crianças, incluindo as
sete filhas do casal. A mulher morava em uma ruela sem qualquer sinalização, o
que não parecia empecilho para encontrá-la, já que todos a conheciam
praticamente como se santa fosse.
— Dona Lia não está.
— Mas já chegou a hora do
Aizenráuer nascer.
Aqui vale um adendo. É que o
casal ouvira no rádio o nome do então presidente dos Estados Unidos, Dwight David Eisenhower, e desejou lhe fazer uma homenagem. Na
verdade, nem era questão de homenagem, mas de sonoridade.
— Eita, que nosso filho vai ser importante.
— E não é, Francisca? Aizenráuer Oliveira.
— Aizenráuer Pereira Oliveira.
— Sim, mulher! Vai ter o seu
Pereira também, que nem as nossas meninas.
Mas voltando ao momento em que Francisco, agoniado por não ter
encontrado a parteira em casa, queria saber o paradeiro da senhora.
— E onde ela tá, que meu menino
já tá pra nascer.
— Ela tá na casa da Antônia.
— A Antônia do Antônio?
— Sim.
— Num é possível que a Antônia
resolveu parir justamente hoje.
— Pelo adiantar das horas, acho
até que já pariu. Se você correr lá, é capaz de encontrar dona Lia com o bebê
no colo.
Não deu outra. Assim que
Francisco chegou à residência do casal Antônia e Antônia, a parteira estava
passando a rebenta para a mãe.
— Dona Lia, pelo amor de Deus! A
senhora precisa correr lá em casa.
— E o que foi, Francisco?
— O Aizenráuer tá que tá
cutucando as partes da Francisca.
E lá foi dona Lia e o sujeito
desesperado acudir a grávida. Assim que chegaram, a parteira, questão de
minutos, conseguiu ajudar o bebê a nascer. Um garoto bonitão e, pelo choro, provido
de pulmões saudáveis.
Tudo parecia perfeito e, alguns dias
após, Francisco foi registrar o filho. Todavia, o tabelião bateu o pé e mostrou
quem é que manda.
— Esse nome não registro! Vai ser Alzemar e pronto!
E foi o que deu para arranjar. Entre tantas Marias, o caçula, único varão, ficou sendo Alzemar Oliveira. Ah, e com Pereira no meio.
- Nota de esclarecimento: O conto "Finalmente um varão" foi publicado no Notibras no dia 12/1/2026.
- https://www.notibras.com/site/finalmente-um-varao/

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