Churrasco na casa da dona Aurora, festeira das boas.
— Mulher, tu por acaso sabe quem é aquele bonitão ali sentado?
— Sei muito bem, Salete. É o novo namorado da Laurentina.
— Sério?
— Por quê? Tá interessada, é?
— Hum! E eu sou lá mulher de dar trela pra qualquer um, Roberta?
— Sei... Então, por que perguntou?
— Melhor não falar, amiga. Você bem sabe que não sou de arrumar
confusão.
— Ih, Salete, para com isso. Se começou, tem que ir até o fim.
As mulheres se entreolharam por um instante. Salete puxou o ar com força
para ganhar fôlego e, em seguida, desandou a falar.
— Pois tu acredita que ele já deu em cima de duas só nesses dez minutos
que estamos aqui?
— Hum! O Osvaldo?
— E o nome do bofe é Osvaldo?
— É. Por quê?
— Já vi tudo!
— Viu o quê, Salete?
— Todo Osvaldo é safado. Nenhum presta.
— Olha aqui, Salete, que história é essa? Meu avô se chama Osvaldo.
— Hum... E ele nasceu antes ou depois de 1970?
— Bem antes, né, Salete?
— Ah, então, está explicado. O seu avô pertence aos Osvaldos antigos,
quando ainda eram confiáveis. O problema é com a safra mais nova, esses que
vieram depois de 1970. E ainda há os piores.
— Piores?
— Sim, Roberta. Os nascidos entre 1980 e 1990. E, olhando
pra cara daquele ali... acho que 1985. São os piores dos piores, mulher.
— Salete, fica quieta. A Laurentina está vindo pra cá.
Foi o tempo para que as amigas se recompusessem e cumprimentassem a
Laurentina.
— Pensei que vocês não fossem vir.
— Laurentina, e tu acha mesmo que a Roberta é de perder essa boca-livre
da dona Aurora?
— Eu? Tu que é uma esfomeada, Salete.
Depois de
alguns bons minutos de conversas e risadas entre as colegas, eis que a
Laurentina quis porque quis apresentar o novo namorado para a Salete. Esta, por
sua vez, encarou a Roberta, mas nada disse. E lá foram as três na direção do
Osvaldo. Um tipão. Vesgo, é verdade, mas um tipão mesmo assim.
Feitas as devidas apresentações, o quarteto de última hora engrenou num
bate-papo descontraído até perto do final da confraternização. Laurentina, braços
dados com o amado, foi embora, enquanto Salete e Roberta se prolongaram um
pouco em despedidas com a anfitriã.
Quase meia hora depois, as duas também saíram e, já na
calçada, a Roberta não perdoou a amiga:
— Nossa, tu é fofoqueira, hein, Salete!
— E como sou! Adoro!
— Mas, Salete, e tu não tem vergonha de falar mal do Osvaldo?
— Ah, e como eu ia lá saber que o sujeito tinha os olhos trocados?
- Nota de esclarecimento: O conto "A teoria dos Osvaldos" foi publicado no Notibras no dia 30/7/2026.
- https://www.notibras.com/site/a-teoria-dos-osvaldos/

Nenhum comentário:
Postar um comentário