segunda-feira, 27 de julho de 2026

O detalhe da traição

    Há momentos em que palavras não são necessárias, desde que o indivíduo seja perspicaz. Atitudes, por mais sutis para olhos menos atentos, entregam sentimentos de maneira a não deixar qualquer dúvida de lado. 

    Joana e Guilherme, então noivos há quase dois anos, casamento marcado para o mês seguinte, pareciam nascidos um para o outro. O par perfeito, parentes e amigos afirmavam sem piscar. A mulher, até aquele momento, também não via razão para suspeitas sobre o enlace que a uniria ao amado até que a morte, decisão única e exclusiva de Deus, atingisse a um deles.

      Detalhe, mero detalhe que fez com que Joana tivesse real noção sobre a presença da deslealdade de Guilherme. Quem seria a usurpadora? 

        — Tem certeza, Joana?

        — Mamãe, não tem como eu estar enganada. Não depois do que o Guilherme acabou de me aprontar.

        — Mas, minha filha, ele acabou de sair daqui. E foi tão gentil com você, do mesmo jeito de sempre.

        — Cinismo, minha mãe, puro cinismo. 

        — Não é possível, Joana!

        — É porque a senhora não viu o que ele fez quando foi embora. Aquele ali não me engana mais.

        — E que diacho o Guilherme fez? Ele não te beijou?

        — Beijou, mamãe. E o cretino quase me enganou.

        — Como assim, Joana? Você quer me deixar maluca, é?

        — Mamãe, a senhora acredita que o sujeito soltou a minha mão depressa? Ele nunca fez isso. Ele enrabichou com outra. Ninguém me tira isso da cabeça. 

        Mesmo que Joana se sentisse coberta de razão, a noiva, aos trancos e barrancos, prosseguiu até o altar. Os pombinhos se casaram e, aparentemente, vivem uma vida tranquila. No entanto, isso não quer dizer que a mulher tenha esquecido o ocorrido. Ah, se ela soubesse que o Guilherme, naquele fatídico dia, simplesmente estava com dor de barriga...

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