Joana e Guilherme, então noivos há quase dois anos, casamento marcado
para o mês seguinte, pareciam nascidos um para o outro. O par perfeito,
parentes e amigos afirmavam sem piscar. A mulher, até aquele momento, também
não via razão para suspeitas sobre o enlace que a uniria ao amado até que a
morte, decisão única e exclusiva de Deus, atingisse a um deles.
Detalhe, mero detalhe que fez com que Joana tivesse real noção
sobre a presença da deslealdade de Guilherme. Quem seria a usurpadora?
— Tem certeza, Joana?
— Mamãe, não tem como eu estar enganada. Não depois do que
o Guilherme acabou de me aprontar.
— Mas, minha filha, ele acabou de sair daqui. E foi tão
gentil com você, do mesmo jeito de sempre.
— Cinismo, minha mãe, puro cinismo.
— Não é possível, Joana!
— É porque a senhora não viu o que ele fez quando foi
embora. Aquele ali não me engana mais.
— E que diacho o Guilherme fez? Ele não te beijou?
— Beijou, mamãe. E o cretino quase me enganou.
— Como assim, Joana? Você quer me deixar maluca, é?
— Mamãe, a senhora acredita que o sujeito soltou a minha
mão depressa? Ele nunca fez isso. Ele enrabichou com outra. Ninguém me tira
isso da cabeça.
Mesmo que Joana se sentisse coberta de razão, a noiva, aos trancos e barrancos, prosseguiu até o altar. Os pombinhos se casaram e, aparentemente, vivem uma vida tranquila. No entanto, isso não quer dizer que a mulher tenha esquecido o ocorrido. Ah, se ela soubesse que o Guilherme, naquele fatídico dia, simplesmente estava com dor de barriga...
- Nota de esclarecimento: O conto "O detalhe da traição" foi publicado no Café Literário no dia 27/07/2026.
- https://www.notibras.com/site/o-detalhe-da-traicao/

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