Acredite, para não
perder aquele que até então considerava o meu mundo, fui obrigada a dividir as
atenções do Guilherme com outra. Mas eis que nunca fui de batalhas e, desse
modo, resolvi quase de bom grado me aliar àquela mulher. Confesso que certo
sentimento de culpa tentou se apoderar de mim, porém deixei isso de lado. Que
culpa tinha eu, quando foi o sujeito que resolveu trazer para dentro do nosso
lar, doce lar uma estranha doce estranha?
Um trio. Sim, foi
justamente isso que Suzana, Guilherme e eu formávamos. Sem culpas, sem
remorsos, mesmo que olhares estranhos fossem lançados sobre o que vivíamos
livres, leves e soltos. Pura inveja, hoje eu sei.
Passeávamos juntos,
viajávamos juntos, ficávamos hospedados em hotéis e pousadas por toda a
imensidão deste Brasil. Sempre no mesmo quarto. Modernidades, alguém pode
dizer. Que diga, que fale, que fofoque. Não ligo.
Tudo ia tão bem até
que algo inesperado aconteceu. Bem que nunca gostei do hábito da Suzana de
engolir sementes de melancia. O que custava cuspi-las? Que nada! Pelo tamanho
da barriga, a melancia que crescia cada vez mais era das grandes.
Maria Luiza nasceu
pouco antes da primavera. Fico até emocionada quando me recordo daquela fofura.
Linda, linda, linda! E como cresceu rápido! Quando vi, aquele bebê já corria
por toda a nossa casa.
Hoje somos quatro.
A família cresceu, é verdade. E já não sou tão novinha para tanta disposição da
novata. Depois de um turno de folias, só quero me deitar e tirar uma pestana
pelo resto do dia. Mas não tenho do que reclamar, amo a minha vida de
buldogue.
Nota de esclarecimento: O conto "Lar, doce e estranho lar" foi publicado na editoria Brasília no dia 27/9/2026.
https://www.notibras.com/portal/brasilia/lar-doce-e-estranho-lar/

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