quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Conselho de amiga

     

    Quase meia-noite. Larissa, no derradeiro parágrafo do capítulo, teve a atenção distraída pela luz do aparelho celular. Uma mensagem de Ana Lúcia.

"Oi! Acordada?"

    Voltou ao parágrafo, a concentração dissipada, a leitura foi deixada de lado.

"Larissa, acho que o Orlando está me traindo."

    Larissa não queria responder. Não àquela hora. Que ficasse para o dia seguinte.

    "Oi, Ana Lúcia."

"Eu te acordei?"

"Levantei pra fazer xixi."

"O Orlando está aprontando de novo. Sei que está."

"Tem certeza?"

"Absoluta!"

    Larissa, entediada, bocejou e balançou a cabeça como penitência. Por que foi responder? Ela já havia ouvido aquela ladainha outras vezes. Ressabiada, dava os conselhos que Ana Lúcia insinuava.

"O que você acha que eu devo fazer?"

"É um caso difícil, amiga."

"Separar não posso."

"É verdade."

"As crianças. Como é que os meus filhos vão viver sem a presença do pai?"

"Sim. Você tem razão."

"Você acha que deve perdoar o Orlando mais uma vez?"

"Creio que é o melhor caminho para manter a família unida."

"Ah, Larissa, muito obrigada. Nem sei o que seria de mim sem o seu apoio. Muito obrigada! De verdade, amiga!"

"Qualquer coisa, estou por aqui."

"Ah, muito obrigada, amiga! E me perdoe por mandar mensagem a essa hora. Mas você entende, né?"

"Vai ficar tudo bem, Ana Lúcia. Até amanhã."

"Até amanhã, amiga!"

    Larissa respirou profundamente, o que acabou despertando o homem que dormia ao lado. 

    — O que foi, amor?

    — A tua mulher. Você é mesmo um vacilão, Orlando.

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