Enquanto o PBM e a dona Sônia malhavam a língua
para saber quem era o campeão das abobrinhas, Gilmarildo e Bin Laden,
outro que batia ponto no local, apenas observavam, eis que o Guima foi atender
um novo cliente que, por esses raríssimos acasos que acontecem a todo instante,
se chamava Paulo. Um gajo aparentemente simpático, sorriso franco, olhos
miúdos, mas atentos.
O problema é que o sujeito não parava de falar,
como se necessitado de contar toda a sua vida para o Guima, que sorria amarelo
para não perder o novo freguês. Que entrasse na disputa com o BBB/PBM e a dona
Sônia. Era capaz de dar uma surra verborrágica nos dois.
Sem perceber a própria
inconveniência, o homem nem parecia se importar se havia ou não ouvidos para
tantos termos. O importante era continuar falando enquanto existissem palavras
no dicionário e, caso acabassem, certamente se embrenharia por neologismos. E
foi aí que ele percebeu que, por descuido ou não, o Guima começou a chamá-lo de
PBM.
O novo cliente, a princípio, imaginou que seus
ouvidos tivessem escutado demais ou, então, equivocadamente. Porém, não tardou,
o dono da banca disse novamente.
— Guima, não entendi.
— Não entendeu o quê?
— Já é a quinta vez que você
me chama de PBM.
— É?
— É!
Toda a clientela voltou os
olhos para aquele diálogo. Temiam até pela integridade física do Guima.
Todavia, o comerciante, esperto que nem macaco-prego, encontrou uma saída.
— Ah, é que PBM quer dizer
Paulo Bom Menino.
Além de se sair bem, o Guima
conquistou o novo freguês. O problema é que, a partir de então, ele se juntou à
dona Sônia e ao PBM original. E o trio, quando resolve fazer conferência na
mais afamada banca de jornal de Sobradinho, se apropria de todas as falas. E
haja ouvido para tanta ladainha!
- Nota de esclarecimento: O conto "Guima e o Paulinho Boca Mole" foi publicado no Notibras no dia 17/4/2026.
- https://www.notibras.com/site/guima-e-o-paulinho-boca-mole/

Nenhum comentário:
Postar um comentário