Cresci
com a ideia de que o irmão da minha mãe fosse espécie de agente secreto, que
levasse o caos para os malvados do mundo inteiro ou, ao menos, da minha
rua. E como não acreditar, quando tio Pedro, todo de preto, montado em
seu cavalo tão veloz quanto uma motocicleta... Bem, na verdade, era mesmo uma
moto, não tão potente como eu imaginava, mas que me fazia criar histórias
mirabolantes sobre as aventuras do meu herói.
Quando
escurecia, meu tio, já devidamente paramentado, se despedia de todos e saía,
enquanto minha avó dizia coisas que me davam certeza de que ele iria mesmo
enfrentar o mundo.
— Bom
trabalho, Pedro. E tenha cuidado! Você sabe muito bem que acho isso muito
perigoso.
Perigoso! Muito
Perigoso! Seja como for, no dia seguinte, antes de amanhecer, lá estava o
defensor dos fracos e oprimidos dormindo tranquilamente o sono dos justiceiros
das revistas em quadrinhos que me faziam companhia nas horas de folga. E eu
ali, parado diante da porta do quarto, orgulhoso, queria ser igual a ele quando
crescesse.
Os anos
passaram, os sonhos e devaneios se tornaram realidade. Tio Pedro, após 35 anos
combatendo a criminalidade do mundo, se aposentou e, alguns anos depois, nos
deixou. Por coincidência ou influência, hoje trabalho na mesma profissão que o
meu paladino da justiça favorito. E todos os dias, assim que a noite cai sobre
a cidade, lá vou eu, já devidamente trajado, para o Banco do Brasil, onde
trabalho na compensação.
- Nota de esclarecimento: O conto "Tio Pedro, meu herói" foi publicado no Notibras no dia 12/4/2026.
- https://www.notibras.com/site/tio-pedro-meu-heroi/

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