O desespero tomou conta de Alzira. Onde
estava a filha? Olhou por todos os cômodos da casa, agachou-se para ver se a
menina estava debaixo das camas, abriu as portas dos armários. Nada. Até mesmo
a Bebel, a cadela, havia sumido.
Desesperada com a situação, a mulher pegou
o celular, telefonou para o marido, na esperança de que ele tivesse levado as
duas para um passeio no parque. Impossível, Alzira sabia, mas precisava se
agarrar àquela falsa esperança. Jorge estava no trabalho, ela havia se
despedido dele com o beijo de sempre.
— Jorge!
— Oi, amor! O que houve?
— Você não vai acreditar!
— Pois diga, que já estou ficando nervoso.
Antes que pudesse revelar o motivo da sua
aflição, Alzira olhou em direção ao portão de ferro. Lá estavam a pequena Lúcia
sentada ao lado da Bebel, como se estivessem trocando confidências, apesar do
silêncio aparente. A mão da criança sobre a cachorra, as cabeças se tocando.
— Jorge, meu amor, você estava certo.
— Certo? Como assim?
— A Lúcia não é filha única.
- Nota de esclarecimento: O conto "Desespero de mãe" foi publicado no Notibras no dia 20/3/2026.
- https://www.notibras.com/site/desespero-de-mae/

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