O homem, que adorava aqueles momentos,
parecia se divertir até mais do que a pequena Alice. Era como se revivesse o
seu tempo de infância, quando sua avó lhe contava e recontava histórias.
Naqueles idos, também havia o galinheiro no quintal, com o galo cantando
cocoricó a todo instante. E o então menino morria de medo do dono do terreiro,
ainda mais porque o bicho tinha fama de bicar a criançada.
O pai pegou um livro de animais da
fazenda. Alice pareceu encantada. Os dois imitaram a vaca, imitaram o cavalo,
imitaram o porco, imitaram o pato, imitaram até o jumento e, óbvio, não poderiam
faltar as imitações do galo, da galinha e dos inúmeros pintinhos.
Depois foi a vez do livro sobre
os bichos da selva. Lá estavam o tamanduá, a onça, o jacaré, a coruja, a anta,
a capivara e até a jiboia. Mas a menina ficou encantada mesmo foi com o
lobo-guará.
— Au-au!
— Não, Alice. Esse aí é o lobo-guará.
— Au-au!
Não tinha conversa e, por isso, o pai gargalhou do próprio
pensamento. Aquele lobo-guará parecia mesmo um cachorro. Mas um cachorro de
pernas compridas que nem girafa. O exagero fazia parte da brincadeira.
Também brincaram de pintar, de colar, de amassar papel, de
encher balão e fazer um monte de bolhas de sabão. Tudo dentro de casa. Aliás,
casa de criança, do tipo que nem adianta arrumar arrumadinho, pois já desarruma
desarrumadinho.
Quando a mulher chegou, viu o marido e a filha deitados no tapete da sala. Adormecidos, mas com semblante de felicidade. Ela desejou se deitar também. Tirou os sapatos que a apertavam e se esparramou ao lado. Como é bom deitar no tapete, pensou. Fechou os olhos e, abraçada ao esposo e à filha, dormiu. _
- Nota de esclarecimento: O conto "A menina, o pai e o dia de chuva" foi publicado por Notibras no dia 27/11/2025.
- https://www.notibras.com/site/a-menina-o-pai-e-o-dia-de-chuva/
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