Nenhuma das cadeiras em pé, quiçá nas mãos de alguns mais
afoitos que as seguravam como armas, prontos para acertar a cabeça de
desafetos, que eram tantos, que eram todos, que ninguém sabia o porquê. Quem se
importava a essa altura? Que acertasse bem em cheio para ver os miolos
espalhados pelo chão. Aí, sim, a coisa ficaria bonita! Nem Caravaggio, muito
menos Munch seria tão impactante.
Ninguém mais sabia se o grito era seu ou de outrem. Pra quê?
Todos estavam surdos diante da razão, que, naquele instante, provavelmente estava
fazendo sala em outro bairro. Talvez na Dinamarca ou, mais provável, na
fronteira entre a Suíça e Campos do Jordão.
Apesar das forças se esvaindo, aquele bando cismava em manter os
pés enfincados ao solo. Um tapa a mais, um último rabo de arraia, o derradeiro
safanão. Todos, praticamente ao mesmo tempo, desabaram naquela dura e pegajosa
rua. As cabeças, ainda presas àqueles corpos tão injuriados, se viravam até
onde conseguiam. Que hecatombe!
O silêncio, após algum tempo, se tornou presente. Enquanto
isso, acima de tamanha irracionalidade, o Sol travava mais uma luta ferrenha
contra as nuvens espessas, para que o dia amanhecesse com o brilho dos seus
raios. Será que vai dar praia?
- Nota de esclarecimento: O conto "Hecatombe no asfalto" foi publicado por Notibras no dia 30/3/2024.
- https://www.notibras.com/site/briga-generalizada-acaba-em-nocaute-dos-machoes/
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