terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Santana e o celular

    A delegacia estava um verdadeiro rebu, poucos policiais para atender aquela pequena multidão. Furto, ameaça, injúria... Os casos eram diversos. Mas o que despertou a atenção de todos foi uma mulher histérica gritando com um preso que acabara de entrar conduzido por alguns policiais: "Cadê o meu celular?" 

    O Santana, entediado no balcão da delegacia, tentou dar um salto da cadeira, mas o sobrepeso não lhe permitiu. Apoiou as duas mãos sobre os joelhos e, com um enorme esforço, conseguiu finalmente se levantar. Praticamente se arrastou até o preso e gritou: 

    _ Cadê o celular da moça?

    _ Sei de celular nenhum não, senhor.

   O delegado tomou a frente do caso, foi gerado o boletim de ocorrência e lavrado o flagrante. Em seguida, lá foram o Santana e outro cana levar o suposto ladrão para a cela. Mas primeiro deram o peladão, que é quando o detento tira toda a roupa e tem que dar três agachadas e tossir ao mesmo tempo para, caso tenha algo escondido em certas partes, isso seja expelido. E foi justamente no derradeiro agachamento que, do nada, surgiu o aparelho celular da vítima; "Ploft!" O Santana, demonstrando até certa agilidade, pegou o tal aparelho no chão, ao mesmo tempo em que o outro policial colocou o preso na cela.

    E lá foi o Santana, todo satisfeito, com o produto do roubo nas mãos. Ele ficou diante da vítima, esticou a mão com o aparelho e disse:

    _ Tá aqui, senhora, o seu celular!

    A mulher, percebendo certa mancha marrom no aparelho celular e sentindo um odor extremamente desagradável, fez cara de nojo e deu dois passos para trás.

    _ Que fedor é esse, Santana? - perguntou o delegado.

    O Santana, levando o aparelho bem perto do nariz, respondeu: "Ih, doutor, acho que o ladrão bosteou o celular da senhora aqui!"

  • Nota de esclarecimento: O conto "Santana e o celular" foi publicado por Notibras no dia 3/12/2023.
  • https://www.notibras.com/site/peladao-durante-plantao-expele-produto-de-furto/

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