segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

A medalha de bombom e a advogada

   

    A menina tinha nome, mas o pai a chamava de Ninica. O pai também tinha lá o seu, mas a filha o chamava de Pepito. Os dois gostavam de passar o tempo juntos, seja no tapete da sala, seja até mesmo na veterinária do pai, onde ele atendia os animais, enquanto a menina, com aqueles olhos enormes, ficava atenta a tudo. Tão curiosa, que o pai jurava que, um dia, ela também seria médica veterinária.

    Naquele dia, final de mês, quase não havia clientes para o pai atender. A Ninica perguntou para o Pepito se ele queria brincar de dominó. Ele respondeu que sim. Logo espalharam as peças pela mesa, mexendo daqui, mexendo dacolá. Cada um escolheu as suas sete. 

    Nesse dia, a Ninica estava dando aquela surra no Pepito, que não ganhava umazinha sequer. A menina ria tanto, que o pai resolveu premiá-la. Pegou um bombom no fundo da gaveta, o amarrou a um barbante e colocou no pescoço da filha. Naquele momento, havia sido criada a famosa medalha de bombom. A menina ficou ainda mais feliz, tanto é que, naquela mesma noite, foi dormir com o prêmio ainda no pescoço.

    Essa tradição da medalha de bombom ainda permanece, se bem que quase nunca ocorre. Mas é sempre lembrada durante as conversas. É que a Ninica cresceu e nem se formou em medicina veterinária. Ela preferiu seguir a carreira do avô e, por isso, fez o curso de direito. O Pepito nem ficou triste com a escolha da filha, pois percebeu que a menina se encontrou exercendo a advocacia. No entanto, ainda que não tão frequente, ele chama a Ninica para ajudá-lo a atender um cliente de vez em quando e, quem sabe, colocar de novo aquela medalha de bombom no pescoço da, agora, advogada.

  • Nota de esclarecimento: A crônica "A medalha de bombom e a advogada" foi publicada pelo Notibras no dia 13/08/2023.
  • https://www.notibras.com/site/ninica-seria-veterinaria-mas-virou-otima-advogada/

    

14 comentários:

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    1. Pois é... Apesar de muitas pessoas a chamarem de Dra. Ana Maria, aqui em casa ela continua sendo a Ninica.

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    2. A Ana Maria tem quantos anos? Conheci com uns 2 aninhos né?

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    3. Ela tem 25 anos. Pois é, já faz muito tempo em que você a conheceu! Ela continua com aqueles mesmos olhos enormes!

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  2. Maio orgulho dessa ninica do papai. RS. Garota linda e inteligente. Ela merece todas as honras possíveis

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    1. Muitos a chamam de Aninha ou Dra. Ana Maria, mas eu sempre a chamo de Ninica. Acho até inimaginável um dia eu a chamá-la por outro nome.

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  3. É meu amigo nem sempre os filhos seguem os passos dos pais

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    1. Na verdade, acho até legal ela ter seguido o próprio caminho. Mas continuamos muito próximos!!!

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  4. Às medalhas de bombons são lembranças de uma infância feliz. O pai de Ninica têm boas recordações para sempre. São coisas que parecem pequenas, porém, eternas em nossas mentes.

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    1. É verdade, Gil!!! As medalhas de bombom são bem mais saborosas que as de ouro!!!

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  5. Embora tenha se tornado a grande Dra. Ana Maria, desde que a conheci, pra mim é Aninha. Apesar também de não conhecer a Dra. Ana Maria porque a última vez que a vi, ela deveria ter 14, 15 anos, tenho um amor inexplicável por esta grande advogada e essa menininha ganhadora de medalhas de bombons.

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    1. Maria Lúcia, muito obrigado mais uma vez pela sua presença aqui no blog. A Ninica (Aninha) é bem legal! Estou até pensando em fazer o curso de direito para ficar mais perto dela. Com certeza irei aprender muito com ela nessa parte. Ela é a grande ganhadora de medalhas de bombom mesmo!rs

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  6. A cadeia da foto, a amo também: a Cuca.
    Muito especial.

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    1. A Cuquinha é muito especial pra gente! Já está na minha pauta uma história especial dela, que já apareceu por aqui em fotos e também na história "O mistério da rua sem saída". Obrigado, Maria Lúcia!!!

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