quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

A gaúcha e o chimarrão

 

    Não sei se você que está me lendo agora já passou pelo Rio Grande do Sul, onde as pessoas costumam sair acompanhadas dos apetrechos para um bom chimarrão (cuia, bomba, térmica). Outros, ainda mais prevenidos, levam cadeira de praia também. 

    Há o chimarrão curto e o longo, coisa que aprendi com uma gaúcha muito simpática (desculpe pelo pleonasmo, já que os gaúchos, especialmente os de Porto Alegre, em nada lembram os curitibanos). Existe a erva fina e a grossa, sendo esta para os que gostam do gosto mais amargo. Afinal, de doce já basta a vida!

    Pois bem, mas a história que quero contar nem aconteceu no Rio Grande do Sul, mas numa pequena cidade na divisa com o Uruguai, chamada Rivera. Lá, como não poderia deixar de ser, a população é também muito ligada ao chimarrão, já que também são gaúchos, assim como todos os habitantes dessa região, não importando de qual país você seja. 

    Todos parecem dar muito valor a uma boa carne, o lindo cavalo crioulo é a montaria preferida, as bombachas são mesmo vestimentas usuais e não aquela coisa caricata que a televisão tenta nos passar. Eles são o que são e parecem realmente gostar disso tudo. Tanto é que, de tão natural que isso é, a minha esposa e eu acabamos nos tornando um pouco gaúchos. 

    E lá estávamos em Rivera, quando percebemos uma mulher ao volante buzinando para um homem, que havia parado o trânsito de maneira imprudente. Aquela motorista, não sei com quantas mãos, pois parecia até aquela deusa indiana Shiva, toda cheia de braços, buzinava, segurava o volante e, pasmem, também carregava uma bela cuia de chimarrão, onde ia sorvendo aquele delicioso amargor da erva, e, quase num passe de mágica, driblou o motorista sem-noção à sua frente e foi embora. 

    Obviamente, ela gritou algo que não pude captar, pois o meu espanhol não é lá essas coisas ou, talvez, eu prefira poupar o meu leitor de um palavrão que não caberia nessas poucas linhas. Seja como for, aquela mulher, provavelmente uruguaia, logo ganhou a minha admiração, pois eu mal consigo segurar uma cuia de chimarrão sem medo de queimar a boca.


6 comentários:

  1. Como gaúcha e viciada em chimarrão, adorei o texto.
    Não é fácil entender nossos hábitos e costumes, mas é o que nos faz um povo único.
    Com um pouco de prática, tu pega as manhas de apreciar um bom mate amargo.

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    1. Fada Verde, a Dona Irene estamos tomando gosto pele chimarrão. Aliás, o meu avô materno era gaúcho, apesar dele ter ido para o Rio de Janeiro aos seis anos. Ele tinha o hábito do chimarrão. Creio que, com o tempo, acabaremos aprendendo as manhas de fazer um bom chimarrão, já que já apreciamos o sabor do mate amargo. Muito obrigado pela leitura e pelo comentário tão gentil! Forte abraço!!!

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  2. Que saudades de uma roda de chimas! Essa pandemia nos roubou alguns prazeres...

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    1. Drika, pois é... E eu que ainda não engrenei nessa onda, simplesmente por conta da pandemia. Mas estou esperançoso que isso passará a partir de 2023. Forte abraço!!!

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