segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

A isca

     Creio que todos nós temos nossos medos. Pois bem, também cá tenho os meus: tortura, fascismo, milícia. Já de tubarão, confesso que não sinto medo. Tenho mesmo é pavor!!! 

    No entanto, até como um possível contrassenso, adoro praia. E foi justamente por conta disso que desenvolvi na minha mente covarde a técnica da isca. E confesso que a utilizo até mesmo na praia de Copacabana, onde nunca houve um ataque de tubarão. Aliás, esse lance de nunca talvez seja um exagero, mas não sei ao certo.

    Mas o que seria essa tal técnica da isca? É bem simples: toda vez que vou entrar na água, sempre observo se há outras pessoas tomando banho. Então, entro quase não aparentando medo. Obviamente que dou aquela molhada nos pés e nos pulsos, como se estivesse preparando o meu corpo para as diferenças de temperaturas entre a água e o ar, que no Rio são gritantes. 

    Pura interpretação de alguém tentando disfarçar o pavor de dar um mergulho entre as ondas, já que não consigo tirar da mente que logo ali vai ter um bicho de não sei quantos metros, com a boca cheia de dentes afiados, querendo atacar justamente este que escreve essas palavras tão covardes. Sou mesmo covarde!!! Nossa, que liberdade poder escrever que tenho pavor de tubarão!

    Todavia, estou aqui para contar a técnica que desenvolvi. Pois bem, nunca sou o cara mais distante na água. Aliás, chamo esse indivíduo corajoso de isca. É simples assim, pois tive que desenvolver, na minha imaginação doentia, um artifício para conseguir dar aquele mergulho na praia. 

    Por isso, penso que, caso haja um tubarão por perto, ele vá preferir degustar as carnes justamente daquele outro humano que fica lá no fundo. Seja como for, agradeço todos os dias por existirem muitas iscas, algumas mais corajosas que outras. Sem elas, eu não colocaria nem a pontinha do meu pé na água e, provavelmente, teria que levar um baldinho para poder me molhar ali mesmo na areia da praia.

  • Nota de esclarecimento: A crônica "A isca" foi publicada por Notibras no dia 26/1/2024.
  • https://www.notibras.com/site/tubarao-tortura-e-milicia-formam-um-medo-so/

12 comentários:

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    1. Sempre tomo cuidado, Rafael!!! Sem um isca lá na frente, nem piso na água.

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    1. Só entro quando tenho a nítida visão de um isca. Tubarões também chegam no rasinho.

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  3. HEHEHE!!!
    Tenho medos mais, digamos, naturais, de velocidade (é um medo que nunca se deve confessar antes de entrar no carro do amigo, o cara coloca uma bigorna no pé), medo de altura, mas menos do que eu achava e de barata, mas confesso que de barata o medo está ficando menor.
    De tubarão não tenho não é embora não saiba nadar, sou um tantinho ousado na praia.
    Ah! Eu não sei dirigir automóvel e desisti de tentar, minha visão lateral é horrível...

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    1. Anísio, esses medos que você tem talvez eu não os possua. Sei lá, às vezes não penso muito neles, mas quando a gente se depara com certas coisas na vida, possivelmente acabamos por agregar outros medos. Não penso, por exemplo, em um tigre me atacando. Todavia, caso eu me depare com um algum dia, com certeza será mais um dos medos que irão fazer parte da minha vida. Ou, caso o tigre acabe me comendo, eu perca todos os medos!

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  4. Gostei da sua teoria do Isca. Vou começar a praticar tb. 🤣🤣🤣🤣🤣

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    1. Sempre funcionou comigo! E olha que a utilizo há 55 anos!!!

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