Sim, isso mesmo: paixão! Ela diz que, apesar dos constantes
atritos que tenho com o Almeidinha, não consigo ficar muito tempo longe dele.
Tanto é que, apesar de ele não ser o meu amigo mais antigo, com certeza é
aquele que tenho mais histórias para contar. E aqui vai uma delas.
Certa vez, não mais do que alguns anos atrás, o Almeidinha me
telefonou perguntando se eu poderia ajudá-lo a fazer a mudança. Eu, que na
época possuía uma velha camionete de nome Manoelito, obviamente disse que sim.
Como o meu amigo morava em um pequeno apartamento, não possuía muitas coisas, o
que dariam, no máximo, duas viagens até a nova residência.
Então, no dia combinado, lá estávamos o Manoelito e eu prontos
para essa tarefa, que prometia ser até agradável. Não que eu goste de fazer
mudanças, mas imaginei que passar uma tarde ao lado do meu amigo seria muito
legal. Além disso, como o Almeidinha é muito mais corpulento do que eu, com
certeza a tarefa mais pesada ficaria por conta dele.
Já estávamos na segunda e derradeira viagem, quase chegando ao
destino, quando o Almeidinha me solta essa: "Edu, eu quase dei um murro em
um cara lá do trabalho". Eu, que estava ao volante, não consegui deixar de
virar o rosto pro lado dele e soltar um "O quê?". Daí, seguiu-se o
diálogo abaixo, que até pode ter sido um pouco diferente do que realmente
aconteceu, já que a minha memória, às vezes, falha.
— Pô, o cara é muito chato! Ele vive me provocando o tempo
todo.
— Almeidinha, a gente não faz mais isso!
— Não faz mais o quê?
— A gente não sai mais no tapa com as pessoas.
— Ué, e por que não?
— Porque a gente é velho.
O Almeidinha me olhou com uma cara de espanto, mesmo porque ele
é até mais novo que eu. Na verdade, nem somos tão velhos assim, mas já
passamos, há muito, do tempo de sair na mão com os nossos desafetos.
O meu amigo e eu, após esse dia, praticamente não nos vimos mais,
apesar de sempre mantermos contato. É que, não tardou, a pandemia se instalou
no país. E, pouco após a situação começar a melhorar, eu me mudei para Porto
Alegre.
Apesar da distância, a amizade continua. Aliás, se eu fosse mineiro, ele seria um bicho-de-pé, que me aborrece muito, mas também me distrai da vida, muitas vezes entediante. Talvez eu seja também um bicho-de-pé pro Almeidinha. E, como conheço bem o meu amigo, ele vai reclamar muito dessa história de bicho-de-pé. Mas tudo bem, pois o problema seria se ele não reclamasse.
- Nota de esclarecimento: A crônica "Almeidinha, o meu amigo" foi publicada por Notibras no dia 18/11/2024.
- https://www.notibras.com/site/almeidinha-o-meu-amigo-colado-como-bicho-do-pe/
sorte do joão.. em ter um grande amigo assim
ResponderExcluirSorte minha, Rafael!!!
ExcluirQue legal. João Bernardo. A gente se formou no mesmo dia com o reitor. Só que o reitor esqueceu da nossa formatura. A secretária perguntou se a gente queria remarcar ou só pegar o diploma. Saímos de lá com nosso diploma
ResponderExcluirMuito legal mesmo!!! Ele já havia me contato essa história. Aliás, acabei de fazer uma chamada de vídeo com ele, que estava com aquela cara de sono!
ExcluirManoelito sempre fazendo parte de suas histórias. O conheci no estacionamento da delegacia com a sua robustez 4x4.
ResponderExcluirGil, isso mesmo!!! O Manoelito tem muitas histórias pra contar, mas ele sempre foi muito caladão.rs
ExcluirAlmas gêmeas então, um é bicho-de-pé do outro. 🙂🙃
ResponderExcluirProvavelmente...rs
ExcluirAmbos!! Contemporâneos de rural. Dois amigos que as circunstâncias da vida acabam distanciando. Bom saber que vc e João continuam próximos.
ResponderExcluirO João é meu parceirão até hoje!!! Aliás, estou curioso em saber quem é você.
ExcluirO João e legal.
ResponderExcluirMuito legal!!! E divertido também, apesar da cara de emburrado.rs
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