segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Sonia Clair, a diva de Copacabana

 

    Eu a conheci em outubro de 2001, quando fui transferido para o DEREG, que era um depósito do Banco do Brasil localizado bem na entrada da favela Kelson, na Penha Circular, um bairro do Rio de Janeiro. Não me recordo exatamente como foi, mas lembro que ela se aproximou e, muito simpática, me deu as boas-vindas. Ela me lançou aquele sorriso e, assim, me disse que se chamava Neném. Muito tempo depois, soube que o seu nome era outro: Sonia Clair.

   Apesar de trabalharmos no mesmo setor, praticamente não tínhamos muito tempo para conversar, já que eu passava a maior parte do expediente dentro do escritório, enquanto ela ficava na parte da conferência dos materiais que seriam despachados para as diversas dependências do Banco do Brasil espalhadas pelo país. Todavia, isso não foi empecilho para que, de vez em quando, trocássemos um "Oi! Tudo bem? Como vai?"

    Depois de algum tempo, voltei a morar em Copacabana, mesmo bairro onde a Sonia residia. Então, logo em seguida, pegamos o mesmo ônibus de volta para casa. Eu havia entrado primeiro, mas não a tinha visto até que ela, esbaforida, também subiu os degraus do coletivo. Eu a cumprimentei quando ela ainda estava na roleta pagando a passagem. No entanto, para a minha surpresa, ela não se sentou ao meu lado, mesmo o lugar estando vazio. Ela se sentou na outra fileira de cadeiras, quase na mesma direção. Eu lhe perguntei por que não se sentara comigo. Ela apenas sorriu, meio constrangida talvez. Eu me levantei e fui me sentar ao lado dela, já que o assento ao lado também estava vago. 

    Fiz-lhe a mesma pergunta, quando ela finalmente me respondeu que nem todos os colegas gostavam de ficar na companhia dela fora do banco. Essas palavras me fizeram sentir vergonha dessas situações horríveis da vida. A sociedade, muitas vezes, nos torna hipócritas, pois nos faz insistir em comportamentos deprimentes. 

    Eu, que já admirava a Sonia, naquele momento quis ser seu amigo. Não sei se consegui, mas fiz questão de enaltecê-la sempre que estávamos juntos. Inclusive depois de alguns anos, quando saí do Banco do Brasil e me mudei de cidade. 

    Quando voltava para o Rio, sempre perguntava por ela e, quando tínhamos sorte, a encontrávamos. E, numa dessas viagens, a minha esposa, a famosa Dona Irene, acabou conhecendo a minha amiga. Lembro-me muito bem desse dia, quando ela se apresentou: "Prazer, Sonia!" A minha esposa, assim como grande parte das pessoas que tiveram o enorme prazer em conhecê-la, ficou encantada com a Sonia. Aliás, Sonia Clair!!! Mulher!!! Preta!!! Poderosa!!!

Sonia Clair, eu, Antonio, Irene e Lindy
  • Nota de esclarecimento: A crônica "Sonia Clair, a diva de Copacabana" foi publicada por Notibras no dia 25/1/204.
  • https://www.notibras.com/site/sonia-clair-a-verdadeira-diva-de-copacabana/

    

11 comentários:

  1. Ela era muito linda, uma pessoa incrível.

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    1. A Sonia era a muda de todos nós!!! Um verdadeiro tapa na cara de todos os hipócritas! E, ainda por cima, tinha extremo bom gosto musical: amava a Ângela Maria!!!

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  2. Estou emocionada.
    Eu amava essa pessoa maravilhosa de coração quentinho e gigante. Muito obrigada pela história, Eduardo. Tenho certeza de que lá do céu ela está toda lisonjeada. ❤️

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    1. A Sonia era uma das raras pessoas que conseguia ofuscar um pouco o Antonio Manoel. Ela era a dona do pedaço!!! Quando ela chegava, ela realmente chegava!

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  3. Muitas pessoas agem como se fossem neuroses que as outras, ao passo, que as mais excluídas, têm muito mais a nos oferecer.
    Amizades simples, sinceras.

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    1. Maria Lúcia, a Sonia era uma pessoa MA-RA-VI-LHO-SA!!! Ela nos deixou há um tempinho, não muito. E ela continua presente nas nossas conversas, pois sempre foi uma mulher extremamente divertida! A Irene e a Aninha até hoje falam dela também. Muita falta dessa minha amiga!

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  4. Pessoas agem como se fossem melhores.
    Ô, gente, eu ODEIO este corretor!

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    1. Não se preocupe, Maria Lúcia! Isso acontece a todo momento!rs

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  5. Uma Diva incrível e iluminada que deixou saudades.

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