A história que vou contar aconteceu na segunda metade da longínqua década de 1990, quando eu fazia Medicina Veterinária na Rural (UFRRJ) com os meus amigos Almeidinha (também conhecido na época como Orelha) e Leo (vulgo Mineiro). Este havia comprado, por R$ 50,00, uma bicicleta bem surrada, mas que o ajudava a transpor as enormes distâncias entre os diversos institutos e o bandejão. Bandejão (bandex), para quem não sabe, é como ainda hoje é conhecido o refeitório, que fica próximo aos alojamentos dos alunos.
Um dia, lá estávamos o Leo, o Almeidinha, o Miracema (Ricardo) e eu almoçando no bandex. Em seguida, fomos conversar debaixo da árvore, onde o Leo havia deixado a sua bicicleta, mas ela havia sumido. O Leo ficou desesperado, começou a procurá-la, mas nada. Tudo indicava que a bicicleta do meu amigo havia sido furtada. E olha que ele sempre a prendia com uma corrente e um cadeado. Só que o Leo passava a corrente apenas no quadro e na roda traseira, não prendia em algum objeto fixo.
Não deu outra, o Leo foi direto registrar um boletim de ocorrência na delegacia, que fica na cidade. Nós três fomos para a aula lá no Instituto de Veterinária (I.V.). O professor já estava praticamente nos finalmente, quando o Leo apareceu todo esbaforido para não perder a chamada. Ele deu uma cutucada no Almeidinha e disse: "O policial lá na delegacia me falou que vai descobrir quem roubou a minha bicicleta, que o cara não vai ficar impune." O Almeidinha ficou ouvindo o nosso amigo falando pelos cotovelos, todo empolgado com o que o policial havia lhe dito.
Depois da aula, todos fomos para a frente do I.V., onde o Almeidinha não aguentou a falou: "Leo, eu que peguei a sua bicicleta. Ela está guardada no alojamento. Isso é pra você aprender prender direito a sua bicicleta". Todos nós rimos muito, e o Leo, meio sem graça, disse: "Só podia ter sido você mesmo, Almeidinha!"
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