Jarbas era tão tosco, que até a sua genitora, Clotilde, andava às turras com ele. Quanto aos outros, ninguém mais queria a companhia do troglodita. Por isso, lá estava o resmungão defronte da porta da casa da sua mãe, batendo de forma insistente, já que a velha era meio surda, e a campainha vivia desligada para afastar os pedintes.
A porta finalmente se abriu. Clotilde, ainda de camisola amarrotada por conta da noite mal dormida, com cara de poucos amigos, fitou o filho.
_ O que é que você quer a essa hora, Jarbas?
_ Ué, vim ver a senhora! Não posso?
A velha deu as costas para Jarbas, que entrou e fechou a porta. Ele seguiu os passos da sua mãe, que foi direto para a cozinha. A água do café já borbulhava. Ela pegou o coador e colocou um pouco de pó de café. Não demorou muito, lá estavam os dois sentados, um contra o outro, à pequena mesa de madeira.
_ Mãe, todo mundo se afastou de mim. Até a Solange me colocou pra dormir no sofá.
Clotilde apenas observava, com certo desdém, as lamúrias do filho, que prosseguia a ladainha.
_ No trabalho fico isolado, meus colegas apenas se dirigem a mim para falar coisas pertinentes ao serviço. Mãe, estou até fazendo terapia. Preciso melhorar o relacionamento com as pessoas. Mas acho que estou evoluindo.
_ Está sim evoluindo... Que nem rabo de burro!
_ Como assim, mãe?
_ Pra baixo!!!
- Nota de esclarecimento: A crônica "Jarbas, o tosco" foi publicada pelo Notibras no dia 1/8/2023. Por uma solicitação da redação do jornal, foi feita pequena alteração no texto para que a história se passasse no Distrito Federal.
- https://www.notibras.com/site/jarbas-o-tosco-evolui-como-o-rabo-de-jumento/
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