Lyssa! Incomum? Sim,
é verdade, mas bem que o nome daquela menina combinava com seu jeito peculiar
de enxergar o mundo ao seu redor. Uma verdadeira detetive, seja por conta do
DNA herdado de algum antepassado curioso, seja por causa das diversas histórias
de mistério que o avô adorava lhe contar.
Seis anos! Pouca idade? Talvez, mas nada que a impedisse de
vasculhar por pistas para resolver os casos, que lhe surgiam como piolhos na
cabeça de gente miúda. Sangue doce, alguns costumam dizer.
Os coleguinhas da escola, assim que algo
sumia, já sabiam a quem recorrer. De tão confiantes com os ótimos serviços
prestados pela Lyssa, esta era tratada a pão de ló. No entanto, naquele dia,
algo mais urgente que lápis, borrachas ou lanches perdidos havia sumido.
Acreditem, pois o caso era realmente
sério! Tanto é que foi a própria Maricota, a professora, que veio pedir socorro
para a Lyssa. Isso mesmo que você ouviu! A professora! Mas voltemos alguns
instantes antes disso acontecer.
Pois bem, lá estava a professora Maricota com um pacote cheio
de folhas com desenhos de animais para que os alunos pudessem pintar. Ela
distribuiu as folhas para os alunos, mas algo aconteceu. Não pense você que é
mentira, mas todos os desenhos haviam desaparecido. Que mistério!
— Lyssa, não entendo! Eu imprimi tudinho ontem.
— Hum. E conferiu, professora?
— Sim! Lá estavam o tatu, a coruja, o macaco, a onça-pintada e
até o jacaré.
— Hum. Estranho, mas posso pegar o caso.
A professora apertou a mão da detetive, que, sem perder tempo,
já retirou a lupa do bolso. Afinal, uma boa profissional precisa estar sempre
preparada para o inesperado, que, vez ou outra, cisma em acontecer quando menos
se espera. E não é que aconteceu de novo?
A detetive pegou as folhas e as examinou uma a uma, sem deixar
passar nem um centímetro quadrado sequer. Isso porque as pistas costumam se
esconder nas minúcias, lição mais que aprendida após ter resolvido diversos
casos. Que fosse um cisco, uma migalha, um risco ou um traço, aquilo poderia
levar à solução do mistério.
A pequena Lyssa, após olhar com aqueles olhos de lince cada
pedacinho daqueles papéis, encarou a professora. Esta, ansiosa por uma solução,
não se conteve.
— Então? O que aconteceu com aquele monte de desenhos?
— Preciso ver a impressora que a senhora usou.
Alguns minutos depois, lá estavam a professora e todos os
alunos na sala da direção, onde se encontrava uma grande máquina de impressão.
Lyssa, com sua providencial lupa à mão, observou toda aquela enorme estrutura
que tem a função de fazer impressões atrás de impressões.
A detetive pegou uma cadeira para alcançar o local onde era
colocado o molde para tantas cópias. Repousou a palma da mão sobre o vidro, ao
mesmo tempo em que acionou o botão para impressão. A máquina estava
funcionando, como provou a cópia da pequena mão da garota no papel que saiu na
bandeja ao lado.
Lyssa pensou, pensou, pensou. Ela sabia que o problema não
estava na impressora, que, como provado, funcionava perfeitamente. Enquanto
isso, todos a observavam, certos de que ela seria capaz de resolver aquele
mistério.
Inteligente como ela só, Lyssa, com ajuda da sua lupa da sorte,
vasculhou toda a sala e, finalmente, pareceu resolver o mistério. Eureka!
— Professora, por acaso a senhora esteve aqui hoje antes de ir
para a sala de aula?
— Sim, Lyssa. Precisava pegar o pacote com os desenhos.
— Mais um caso solucionado, professora!
— Como assim?
— A senhora se confundiu ao pegar o pacote. Eis o que está com
as folhas impressas.
- Nota de esclarecimento: O conto "Lyssa, a detetive mirim" foi publicado pelo Notibras no dia 22/10/2023.
- https://www.notibras.com/site/lyssa-holmes-e-o-misterio-do-sumico-dos-bichos-na-aula/
- O conto "Lyssa, a detetive mirim" foi publicado no Café Literário do Notibras no dia 16/11/2025.
- https://www.notibras.com/site/lyssa-a-detetive-mirim/

Nenhum comentário:
Postar um comentário