Aqueles que me conhecem sabem que eu trabalhei no Banco do Brasil durante 17 anos, sendo que tomei posse numa antiga agência chamada Figueiredo Magalhães, em Copacabana. Pois foi justamente nessa minha primeira lotação que passei a atender o Ibrahim Sued, que foi praticamente o inventor da antes badalada coluna social.
O cara era grandão, passadas largas, sorriso fácil. Os cabelos azulados, os olhos maiores que a própria face. Ele, como de costume, sempre ia ao banco após a agência estar fechada. Afinal, alguns clientes possuem certas regalias. E, muitas vezes, eu o recebia, pois, nesse tempo, era um dos últimos funcionários a ir embora.
De tanto atender o Ibrahim, acabou havendo uma intimidade pouco além da normalmente existente entre clientes que se dirigem a um banco e os funcionários. Tanto é que, não raro, ele me contava sobre algumas perspectivas da própria existência. De todas essas conversas, uma em especial me marcou.
_ Dudu, a velhice é uma merda!
_ Que isso! Você está muito bem!
_ Que nada! Tá tudo caído por aqui!
Eu apenas o observava, talvez sorrindo, enquanto ele prosseguia.
_ Dudu, você sabe que eu tenho muita grana, né?
_ É, sei sim.
_ Pois é, Dudu, se eu pudesse, trocaria toda essa grana pela sua juventude.
- Nota de esclarecimento: A crônica "Ibrahim Sued e a minha juventude" foi publicada por Notibras no dia 30/7/2023.
- https://www.notibras.com/site/ibrahim-teve-quase-tudo-menos-vida-de-mathuzalem/
Por isso temos que aproveitar o agora...
ResponderExcluirSim, Rafael!!! Mas creio que o Ibrahim soube aproveitar muito bem o "agora" dele.
ExcluirPor isso precisamos aproveitar. Com grana fica mais fácil ainda…rsrs
ResponderExcluirPois é, Shesman!!! Exatamente assim!!! Aliás, o Ibrahim não foi a pessoa mais famosa que eu atendi durante meu tempo no BB, mas foi a mais engraçada. Divertidíssimo!!!
ExcluirO dinheiro não compra tudo, mas ajuda muito.
ResponderExcluirCom muito dinheiro, ele reclamava da velhice, o que dizer aqueles que ganham salário mínimo?
Dinheiro não compra juventude, mas ajuda a velhice ser mais fácil.
Eu que o diga.
Nós somos como carro velho, cada dia estraga uma peça.
Kkkkkkkkkkk
Maria Lúcia, pois é, o problema não é o dinheiro, mas a falta dele, ainda mais quando em demasia. Muito boa a sua analogia com carro velho. Pois me sinto assim a cada dia que passa. rs Beijão!!!
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